Erva-de-santa-maria

Nome científico: 
Dysphania ambrosioides (L.) Mosyakin & Clemants
Sinonímia científica: 
Chenopodium ambrosioides L.
Família: 
Amaranthaceae
Partes usadas: 
Folha, flor, fruto verde, semente.
Princípio ativo: 
Antraglicosídeos, derivados do ácido cinâmico, mucinas e pectinas, saponinas, amigdalina, ascaridol, geraniol, cimeno, monoterpenos e derivados monoterpenos (a-pineno, mirceno, terpineno, timol, cânfora e trans-isocarveol), ácido oxálico.
Propriedade terapêutica: 
Antibacteriana, estomáquica, diurética, vermífuga, sudorífica, cicatrizante, tônica, digestiva, hipossecretora gástrica.
Indicação terapêutica: 
Eczemas, úlceras, cólica, dor de estômago, angina, infecção pulmonar, contusão, ressaca alcoólica, afecção do fígado.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: wormseed, jesuit's tea, Mexican tea, skunkweed
  • Espanhol: epazote, yerba de Santa Maria
  • Francês: épazote, thé du Mexique
  • Alemão: mexicanischer traubentee
Origem
Erva nativa da América Central, América do Sul e sul do México.
 
Uso popular e medicinal
Erva-de-santa-maria tem folhas de sabor picante, semelhante ao alcaçuz, anis (erva-doce) ou até mesmo estragão, mas mais forte. A planta inteira é utilizada em aplicações medicinais. Povos indígenas do Suriname a usam devido as propriedades antibacteriana, tônica, digestiva e vermífuga, contra cólicas e dores de estômago. 
 
Devido à sua eficácia, facilidade de administração e baixa toxicidade, é considerada o mais valioso de todos os remédios vermífugos. O extrato da planta é um potencial agente analgésico.
 
Tem uso interno e tópico: a decocção é indicada em várias doenças de pele tais como eczema e úlceras.

O óleo essencial dessa planta e seu principal componente químico, ascaridol, tem mostrado ações eficientes contra diversas células cancerígenas de tumor, miomas uterinos, cistos e cistadenomas (inclusive linhagem de células cancerígenas multi-resistentes a medicamentos) nas pesquisas em andamento.

A leishmaniose é uma das principais doenças tropicais e a terapia atual é tóxica, cara e pode causar vários efeitos adversos. Até o momento não existem vacinas contra ela e a quimioterapia continua sendo o principal recurso no seu controle.

Foi realizado estudo para analisar a atividade do óleo essencial de Chenopodium ambrosioides em camundongos infectados com Leishmania amazonensis, que receberam dois ciclos de tratamento por diferentes vias (intraperitonial, oral ou intralesão). Os tratamentos intraperitonial e oral com 30 mg/kg com o óleo essencial apresentaram o melhor efeito antileishmaniose que o tratamento com o medicamento de referência, a anfotericina B (Fungizona), a 1 mg/kg.

A toxicidade e a resistência foram examinadas após o tratamento. Os sinais de toxicidade foram evidentes apenas nos animais tratados por via intraperitonial. Não foi detectada resistência em L. amazonensis isolada obtido a partir de ratos tratados.

A conclusão é que este produto natural pode ser uma alternativa para o desenvolvimento de um novo medicamento contra a leishmaniose cutânea.

Notas

Ascaridol: substância orgânica de origem natural pertencente a classe dos monoterpenos bicíclicos. É líquido incolor tóxico de odor pungente e solúvel em muitos solventes orgânicos. Está presente no óleo essencial do boldo-do-Chile, onde é o responsável, em parte, pelo seu odor característico. É um dos maiores constituintes do óleo essencial das folhas e dos frutos do quenopódio ou chá-do-México (Chenopodium ambrosioides). Os astecas utilizavam o quenopódio para combater a disenteria e contra as picadas de insetos e aranhas. Ascaridol tem sido usado há muito tempo como antihelmíntico no controle de nematóides. Seu nome deriva de Ascaris, verme intestinal popularmente conhecido como lombriga. Possui um efeito narcótico e inibitório nos parasitas intestinais, fazendo com que eles se desprendam do tecido ao qual estão presos. É ativo contra os parasitas humanos, animais e os que infestam algumas plantas também.

Cistadenoma: tumor com características de benignidade, formado por epitélio de tecido glandular com a propriedade de formar quistos.

Leishmaniose: doença transmitida por protozoários do gênero Leishmania. No Brasil existem atualmente seis espécies de protozoários responsáveis por causar doença humana. As variedades mais encontradas são a Leishmaniose Visceral (LV) e a Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA).

Anfotericina B: medicamento antifúngico conhecido comercialmente como Fungizon, é de uso injetável e age impedindo o mecanismo de ação dos fungos, uma vez que altera a permeabilidade de sua membrana, diminuindo assim a probabilidade de complicação nas doenças como a leishmaniose e a candidíase.

 
Preparo e dosagem
Vermífugo, estomáquico (infusão). 1 xícara de cafezinho de planta fresca com sementes em 1/2 litro de água. Tomar 1 xícara de chá de 6 em 6h.
Peitoral (sumo). 2 a 4 colheres de sopa do sumo das folhas para 1 xícara de chá de leite, uma vez ao dia. Crianças maiores de 2 anos devem tomar a metade da dose.

Vermífugo (sumo). 1 copo da planta picada com sementes para 2 copos de leite, bater no liquidificador, tomar 1 copo de suco 1 vez ao dia por 3 dias seguidos.

Contusões (cataplasma). Colocar 1 xícara de cafezinho de vinagre, 1 colher de sopa de sal, amassar a planta na mistura até obter uma papa, colocar sobre o local afetado e enfaixar.  

Vermífugo (geléia). Separar 4 bananas nanicas maduras com casca. Picar 1 copo de folhas de erva-de-santa-maria com sementes, meio copo de hortelã, 1 copo e meio de açúcar. Triturar bem as plantas em um pilão, pode-se adicionar um pouco de água. Em seguida juntar a banana e o açúcar, amassar bem. Levar ao fogo até dar o ponto de geléia, o que ocorre em poucos minutos. Tomar 1 colher de chá duas vezes ao dia, puro ou passar na bolacha, pão. 

Outros usos
Elimina e repele pulgas e percevejos. Colocar os ramos debaixo dos colchões e varrer a casa utilizando-os como vassoura. 

 Toxicologia
Deve ser administrada com cautela. É contraindicado para gestantes e para crianças menores de 2 anos de idade. Usar sob orientação de profissional da área.

  Colaboração

  • Sérgio Antonio Barraca, estudante de graduação da ESALQ/USP, Piracicaba (SP), 1999.
  • Carla Rafaela de Oliveira, estagiária da Seção Técnica de Informática da ESALQ/USP, Piracicaba (SP), 2014.

 Referências

  1. ESALQ/USP: Cultivo de Horta Medicinal - Acesso em 17 de janeiro de 2016
  2. Gernot Katzer's Spice Pages: Epazote - Acesso em 17 de janeiro de 2016
  3. Tropilab Inc: Epazote Tincture - Acesso em 17 de janeiro de 2016
  4. Sociedade Brasileira de Química: Ascaridol - Acesso em 17 de janeiro de 2016
  5. TodoPapas: Que significa cistadenoma - Acesso em 17 de janeiro de 2016
  6. Agência Fiocruz de Notícias (2013): Leishmaniose - Acesso em 17 de janeiro de 2016
  7. Imagem: Martha Batista de Lima, Pedagoga e Terapêuta Naturalista (Florianópolis, SC)
  8. The Plant List: Dysphania ambrosioides - Acesso em 17 de janeiro de 2016

GOOGLE IMAGES de Dysphania ambrosioides - Acesso em 17 de janeiro de 2016

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