Erva-de-são-joão

Nome científico: 
Hypericum perforatum L.
Sinonímia científica: 
Hypericum deidesheimense Sch.Bip. ex Trevir.
Família: 
Hypericaceae
Partes usadas: 
Sumidades floridas secas, inteiras ou fragmentadas.
Princípio ativo: 
Naftodiantronas, derivados da floroglucina, flavonoides e xantonas, procianidinas, óleo essencial .
Propriedade terapêutica: 
Ansiolítica, antiulcerogênica, antiviral, antibacteriana, cicatrizante, anti-inflamatória.
Indicação terapêutica: 
Astenia (cansaço), ansiedade, insônia, libido (desejo sexual).

Nome em outros idiomas

  • Inglês.: common St. Johnswort, perforate St John's-wort, St. John's wort, amber, goatweed, klamathweed. 
  • Alemão: Echtes Johanniskraut, Johanniskraut
  • Francês: millepertuis commun, millepertuis perforé, casse-diable, millepertuis
  • Italiano: iperico
  • Espanhol: hipérico

Uso popular e medicinal
Seu uso mais comum é como antidepressivo leve, embora tenha outros efeitos interessantes.

Melhora a astenia (cansaço), ansiedade, insônia e a libido (desejo sexual). Também atua sobre a melatonina e como consequência melhora o sono do deprimido.

Tem ainda efeito antiulcerogênico, antiviral, antibacteriana, cicatrizante.

Tanto na forma de extrato seco ou de folha, pó e tintura, os melhores resultados começam a aparecer após 2 semanas do início do tratamento, tempo mínimo que leva para impregnar a área do cérebro onde atua. Isso acontece também com os antidepressivos alopáticos ou químicos. Nenhum deles tem efeito imediato como se fosse um analgésico ou anestésico.

Uma forma mais concentrada e elaborada do produto, mais caro e de efeito mais efetivo, é o extrato seco padronizado, encontrado nas farmácias tradicionais e de manipulação mediante receita.

Uma boa forma de uso é a tintura feita com álcool de cereais, exceto para diabéticos. É também encontrado na forma de cápsulas contendo o produto em pó, produzidas por laboratórios especializados em flora medicinal. É menos concentrado e de efeito mais fraco. As raízes são encontradas em casas de produtos naturais. É menos concentrado e deve ser preparado segundo vários procedimentos sendo o mais comum, ferver as raízes durante 2 a 3 minutos. Pode-se deixar de "molho" durante 24 horas na geladeira, em uma xícara coberta. No dia seguinte, aquecer e tomar o líquido. Em todos esses casos o produto deve ser bem lavado antes do uso.

Nas feiras-livres e mercados são vendidos por pessoas com algum conhecimento empírico do produto, porém não se recomenda adquirir nesses locais principalmente por não saber a origem da raiz, como e onde foi plantada, além do aspecto de higiene.

Atualmente existem fazendas plantando em escala comercial e de maneira correta. Algumas casas comerciais vendem a raiz em sacos grandes ou a retalhos, geralmente de boa procedência e com a identificação correta da planta.

A Comissão E da Alemanha e a European Scientific Cooperative on Phytotherapy (ESCOP) descrevem sua ação como moderadamente antidepressivo. O óleo de Hypericum por via tópica demonstrou ação anti-inflamatória e anti-bacteriana [3].

  • Indicações da Comissão E. Uso interno: em casos de transtornos psicovegetativos, depressão moderada, ansiedade, nervosismo, distúrbios dispépticos. Uso externo: tratamento e pós-tratamento de contusões e feridas.
  • Indicações da ESCOP. Estados depressivos leves e moderados, transtornos somáticos incluindo distúrbios do sono, ansiedade, depressão, irritabilidade, diminuição da agressividade.

Interações medicamentosas [3]

O risco de interações associa-se com fármacos cuja via metabólica é através do citocromo CYP1A2, 2C9 ou 3A4. São descritas com:

  • Medicamentos anticonvulsivantes: carbamazepina, fenobarbital, fenitoína
  • Antidepressivos, inibidores seletivos da recaptação da serotonina: citalopram, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina
  • Medicamento imunossupressor: ciclosporina 
  • Contraceptivos orais
  • Medicamento indicado para o tratamento de insuficiência cardíaca: digoxina 
  • Medicamentos indicados para tratamento de portadores do HIV: inibidores da protease (indinavir, nelfinavir, ritonavir, saquinavir)
  • Medicamento antiasmático: teofilina
  • Medicamentos contra enxaqueca e dores de cabeça: triptanos (sumatriptano, naratriptano, rizatriptano, zolmitriptano)
  • Medicamentos anticoagulantes: varfarina, acenocumarol

Para obter mais informações sobre interações, leia o artigo "Erva pode neutralizar o tratamento contra a Aids" no final desta página.

 Efeitos colaterais
Nas doses prescritas são mínimos e raros. Pode provocar eritema (manchas vermelhas) em algumas pessoas de pele muito clara expostas aos raios ultravioletas do sol entre 10 e 16 horas.

 Colaboração
Fernando Mascarenhas dos Santos, médico CRMBA 4631 (Salvador, BA). Maio de 2003.

 Referências

  1. Gotas de Saúde - Acesso em 24 de janeiro de 2016
  2. CUNHA, A. P. et. alli. Capítulo de livro: Erva-de-são-joão - In "Plantas na Terapêutica - Farmacologia e Ensaios Clínicos". Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (Portugal).
  3. Web de Fitoterapia: Hipérico - Acesso em 24 de janeiro de 2016
  4. Jornal Folha de São Paulo (2004): Estudos confirmam poder da erva-de-são-joão - Acesso em 24 de janeiro de 2016
  5. The Plant List: Hypericum perforatum - Acesso em 24 de janeiro de 2016

GOOGLE IMAGES de Hypericum perforatum - Acesso em 24 de janeiro de 2016


Artigo: Erva pode neutralizar o tratamento contra a Aids

(Paris, 11 fev AFP)

Uma planta bastante comum conhecida como "coraçãozinho" ou "baba-de-boi-de-campina" (Hypericum perforatum), contra-ataca perigosamente o processo farmacológico dos tratamentos contra a Aids, ou dos medicamentos contra a rejeição, prescritos depois de transplantes cardíacos.

Além de efeitos antidepressivos, são atribuídas à erva diversas propriedades, entre elas a de funcionar como anti-inflamatório e adstringente. Segundo uma pesquisa publicada em dezembro passado pelo British Medical Journal, o "coraçãozinho" seria tão eficaz no tratamento de certas formas de depressão como a imipramina, um medicamento antidepressivo de utilização bastante usual na Europa. Dois cientistas publicaram cartas no último número da revista médica britânica The Lancet, a ser publicada no sábado, onde apontam os danos que podem ser provocados por esta erva, usada há pelo menos 2.400 anos pela Humanidade.

O doutor Stephen Piscitelli, do Instituto de Saúde de Bethesda (Estados Unidos), avaliou os efeitos negativos do "coraçãozinho" em relação ao indinavir, medicamento utilizado nas triterapias contra a Aids.

Seu estudo, realizado por razões éticas com oito voluntários não-soropositivos, mostrou que a erva reduz consideravelmente a concentração de indinavir no sangue, o que poderia provocar nos doentes uma resistência aos antivirais e provocar o fracasso do tratamento. "É um erro considerar que os produtos à base de ervas são seguros porque não podem ter uma interação perigosa com outros medicamentos, e portanto é importante que os pacientes digam ao seu médico toda utilização de produtos desse tipo", escreveu o doutor Piscitelli.

Na outra carta, o doutor Frank Ruschitzka, do Hospital Universitário de Zurique (Suíça), insiste nos riscos do uso do "coraçãozinho" nas pessoas que receberam transplantes cardíacos. Ruschitzka conta casos de rejeição aguda, ocorridos em pacientes transplantados que, além do tratamento contra a rejeição, tomavam também a erva para lutar contra leves depressões.

Como no caso precedente, os médicos suíços constataram que a erva fazia baixar a concentração da ciclosporina - o medicamento contra a rejeição que tomavam - no sangue. Os dois doentes tiveram que ser submetidos a um novo transplante. Depois destas operações, deixaram de consumir o "coraçãozinho" e ciclosporina voltou a se manter em seus organismos em níveis normais. Posteriormente, não foi constatada nenhuma outra reação de rejeição.

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