Copaíba, pau-de-óleo

Nome científico: 
Copaifera reticulata Ducke
Sinonímia científica: 
Copaifera reticulata var. reticulata
Família: 
Leguminosae
Partes usadas: 
Oleorresina coletado do caule da árvore.
Princípio ativo: 
Compostos voláteis majoritários: ß-cariofileno, ß-bisaboleno e (E)-α-bergamoteno. A parte resinosa é composta principalmente dos ácidos hardwíckico, colavenol, copaiférico, copaiferólico, calavênico, patagônico, copálico.
Propriedade terapêutica: 
Tripanossomicida, anti-inflamatório, analgésico, antiedêmico, antitumoral, anticancerígeno, cicatrizante, antimicrobiana, antisséptica, antinoceptiva, leishmanicida.
Indicação terapêutica: 
Diarreia, reumatismo, psoríase, hemorragias, moléstias da pele, urticária, pneumonia, eczema, paralisia, cefaleia, picada de cobra, sífilis, leishmaniose, blenorragia.

Formulário de Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira
Copaíba tem uso científico comprovado, na forma de pomada, como anti-inflamatório, antisséptico e cicatrizante.

Nota: o oleorresina para a elaboração da pomada é também extraído de C. langsdorffiiC. multijuga e C. paupera

Origem [6]
A copaíba tem 28 espécies catalogadas, das quais 16 são endêmicas do Brasil, principalmente na Região Amazônica e no Cerrado.

Nome em outros idiomas [4]

  • Inglês: copaíba balsam, copaíba oil
  • Francês: copayer, baume de copayer, huile de copayer
  • Espanhol: palo-de-bálsamo, aceite, cabima

Descrição [4]
As árvores de copaíba atingem altura entre 25 e 40 m, diâmetro entre 0,4 e 4 metros, possuem casca aromática, folhagem densa, flores pequenas e frutos secos do tipo vagem.

As sementes são pretas e ovóides com um arilo amarelo rico em lipídeos.

No Brasil, as árvores são conhecidas como copaíba, copaibeira, pau-de-óleo dentre outros nomes, que fornecem um oleorresina de cor amarelo-castanho transparente obtido pela perfuração do caule da árvore. Comumente referido como "óleo de copaíba", desde longa data este óleo é usado por povos indígenas e na medicina popular para diversas finalidades. É considerado uma das mais importantes matérias-primas da Amazônia.

Uso popular e medicinal
Praticamente todos os componentes do óleorresina já foram identificados e estudadas as suas propriedades. É tido como "óleo milagroso" pelos povos indígenas. Diversos trabalhos científicos e testes in vitro e in vivo atestam as suas propriedades farmacológicas: tripanossomicida, anti-inflamatório, analgésico, antiedêmico, antitumoral, anticancerígeno, cicatrizante, antimicrobiana, antisséptica, antinoceptiva e leishmanicida [1,5,7].

Destaca-se a avaliação da atividade do óleorresina de C. reticulata em diferentes concentrações no crescimento micelial in vitro de fitopatógenos dos gêneros Phomopsis, Colletotrichum e Phytophthora. Segundo os autores, os resultados mostram que é possível utilizar esta substância para controle biológico do crescimento micelial (células de fungos) in vitro de fitopatógenos [5].

O oleorresina de copaíba foi objeto de estudo para tratamento de otite externa em cães. A determinação da composição química foi realizada por cromatografia em fase gasosa acoplada à espectrometria de massas (GC/MS), sendo identificados os compostos voláteis majoritários ß-cariofileno, ß-bisaboleno e (E)-α-bergamoteno. Os autores concluem que o óleo exerce atividade antimicrobiana in vitro frente a Staphylococcus coagulase-positiva multirresistentes isolados de otite canina externa [2].

Apesar de seu potencial inseticida, a baixa solubilidade em água continua sendo um desafio para o desenvolvimento de produtos eficazes e viáveis. A nanotecnologia surge como área promissora para resolver este problema, em especial nanoemulsões do tipo "óleo em água". 

Um estudo recente apoia o conceito de que uma nanoemulsão de óleo em água contendo oleorresina de copaíba pode ser usado como um potencial larvicida. O oleorresina e suas substâncias isoladas foram testadas com sucesso contra Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue. A. aegypti pode desenvolver resistência a agentes químicos convencionais, torna-se então importante descobrir novas armas contra este mosquito. Nesse contexto, nanoformulações de baixo custo baseadas em produtos naturais, autossustentáveis e ecologicamente corretas parecem ser promissoras [1].

 Dosagem indicada [3]

Pomada anti-inflamatório, antisséptico e cicatrizante. Componentes: óleorresina de copaíba (10 g); pomada de lanolina e vaselina (100 g). Orientações para o preparo: transferir o óleorresina para recipiente adequado. Incorporar na pomada de lanolina e vaselina e misturar até homogeneização completa. Acondicionar em pote plástico não transparente. Uso externo: após higienização, aplicar na área afetada 3 vezes ao dia.

Armazenar em local fresco, seco e ao abrigo da luz.

Advertência. Manter fora do alcance de crianças. 

Outros usos [4]

O óleo é usado como fixador na fabricação de tintas, verniz (como secante), combustível na iluminação pública (misturado na proporção 1:9 com diesel), na indústria de perfumes como fixador de odores, solvente em pinturas de porcelanas, aditivo na confecção de borracha sintética, aditivo de alimentos com aprovação pelo FDA (Food and Drugs Administration - EUA).

Tem ótima aceitação na indústria de cosméticos pelas propriedades emoliente, bactericida e anti-inflamatória na fabricação de cremes, sabonetes, xampus e amaciantes de cabelos.

A madeira extraída da copaibeira tem propriedades desejáveis ao uso em marcenaria, carpintaria, construção civil e naval, fabricação de carvão e outras aplicações.

 Referências

  1. Brazilian Journal of Pharmacognosy (2014): Development of a larvicidal nanoemulsion with copaiba (Copaifera duckei) oleoresin - Acesso em 16 de agosto de 2015
  2. Pesquisa Veterinária Brasileira (2013): Atividade antimicrobiana do oleorresina de copaíba (C. reticulata) frente a Staphylococcus coagulase positiva isolados de casos de otite em cães - Acesso em 16 de agosto de 2015
  3. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 1ª ed. 2011.
  4. Revista Brasileira de Plantas Medicinais (2009): Óleo de copaíba - histórico, extração, aplicações industriais e propriedades medicinais - Acesso em 16 de agosto de 2015
  5. EMBRAPA Amazonia Oriental (2008): Avaliação do óleo de C. reticulata na inibição do crescimento micelial in vitro de fitopatógenos - Acesso em 16 de agosto de 2015
  6. Agência EMBRAPA de Informações Tecnológicas: Copaíba - Acesso em 16 de agosto de 2015
  7. Óleos Essenciais: Óleo de Copaíba - Acesso em 16 de agosto de 2015
  8. Imagem: EMBRAPA
  9. The Plant List: Copaifera reticulata - Acesso em 16 de agosto de 2015

GOOGLE IMAGES de Copaifera reticulata - Acesso em 16 de agosto de 2015

Galeria: