Chuchu, chuchuzeiro

Nome científico: 
Sechium edule (Jacq.) Sw.
Sinonímia científica: 
Chayota edulis (Jacq.) Jacq.
Família: 
Cucurbitaceae
Partes usadas: 
Raiz, folha, fruto, semente.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Água, energia, proteína, gordura, carboidratos, fibra, minerais (Ca, Mg, P, F, ZN), vitaminas (A, complexo B, C).
Propriedade terapêutica: 
Diurética, cardiovascular, anti-inflamatória.
Indicação terapêutica: 
Aterosclerose, hipertensão, cálculos renais.

Nome em outros idiomas

  • Inglês, espanhol: chayote
  • Alemão: sechium 
  • Francês: chouchou, christophine (Réuniun, ilha francesa do Índico)

Origem
O centro de origem e domesticação do chuchu é o Sul do México e Guatemala, onde espécies nativas ainda são encontradas. Foi introduzida como cultura em toda a América Latina e no mundo. Cresce em abundância no Brasil, Costa Rica e Veracruz (México).

Descrição
O gênero Sechium é composto de plantas que produzem flores e frutos carnosos. O nome "chuchu" refere-se tanto ao vegetal quanto ao fruto.

O caule é rastejante com gavinhas. Cada fruto contém uma única semente de 2 a 5 cm de comprimento, alongada, com alta capacidade de germinar no interior do fruto. O fruto é colhido antes do alargamento da semente.

O fruto é uma baga (carnudo, sem núcleo), tem a aparência de uma grande pera, mede de 7 a 20 cm. É consumido cru ou cozido. 

Uso popular e medicinal [1]

Tanto o fruto quanto as sementes são ricos em aminoácidos e vitamina C. A parte da raiz tuberosa é amilácea e ingerida como inhame.

As folhas e frutos têm propriedades diurética, cardiovascular e anti-inflamatório. Um chá feito a partir das folhas foi usado no tratamento de aterosclerose, hipertensão e para dissolver cálculos renais.

Extratos de Sechium edule mostraram atividade antimutagênica em um ensaio de Salmonella typhimurium. Salmonela é a bactéria mais comum icausadora de infecção intestinal nos EUA, segundo trabalho publicado em 2009 [4]

O sechiumin, proteína de inativação de ribossomas (RIP, ribosome-inactivating protein), foi purificado a partir das sementes por filtração em gel e cromatografia de permuta iônica [5]. Existe estudo atestando que este composto pode ser utilizado na preparação de imunotoxina como um potencial agente quimioterapêutico contra o cancro.

Extratos de frutos exibiram efeito hipotensor em testes com ratos.

 Culinária

Do chuchu tudo se aproveita. A polpa é usada em salada, purê, gratinada com presunto e queijo, refogada com bacon, alho, cebola e outros ingredientes. Existem muitas receitas de chuchu em sopas, cremes, farofas, suflês, fricassé de legumes, marinada com limão, polpa frita ou em conserva em escabeche, etc.

Nos EUA chuchu é muito popular em receitas de feriados tradicionais como Dia da Ação de Graças. Na Mesoamérica (região que abrigou as civilizações maias e astecas, hoje inclui o sul do México, Guatemala e Belize) é encontrado em uma variedade de pratos. 

Na Jamaica, as sementes são consumidas fritas ou assadas.

Nas Ilhas Mascarenhas (arquipélago do sudoeste do Oceano Índico) "chouchou Brède" é importante componente de pratos locais. Brèdes refere-se a uma gama de folhas comestíveis as quais são cozidas antes do consumo em sopas ou fricassé (guisado) no acompanhamento do curry. O termo é usado desde o século XVII, é emprestado do Português "bredo", a planta Amaranthus blitum. Algumas espécies no Brasil são conhecidas por bredo ou caruru. 

Os frutos variam no sabor, indo do leve ou amiláceo ao adocicado dependendo do cultivar. Frutos de cultivares leves são usados industrialmente no enchimento de pastas e molhos. Devido ao seu baixo valor de energia, chuchu é considerado importante alimento dietético em hospitais e lares de idosos. São excelentes alimentos para bebês. A semente é parecida com a noz tanto em sabor quanto em fonte de proteína.

Outros usos

As frutas, brotos e tubérculos são usados como forragem para suínos, aves e bovinos. 

No passado, as fibras da haste foram úteis na fabricação de cestos e chapéus. Em Gana serviram como material de ligação na construção de casas de barro.

No início do século XX, em La Réunion (ilha francesa do Oceano Índico) foi famoso o chapéu "paille de chouchou", feito com fibras de chuchu [2].

 Cuidado
Chuchu pode causar hipocalemia (redução da concentração de potássio na circulação sanguínea) na gravidez.

Valor nutricional

Fruto: composição por 100 g de porção comestível (86%). Folhas: conteúdo por 100 g. Raízes: conteúdo por 100 g de porção comestível (73%)

  Fruto Folhas jovens, brotos Raízes tuberosas
Água 94 g 90 g 80 g
Energia 80 kJ (19 kcal) 251 kJ (60 kcal) 331 kJ (79 kcal)
Proteína 0,8 g 4,0 g 2,0 g
Gordura 0,1 g 0,4 g 0,2 g
Carboidratos 4,5 g  4,7 g 17,8 g
Fibra 1,7 g 1,2 g 0,4 g
Cálcio 17 mg 58 mg 7 mg
Magnésio 12 mg    
Fósforo 18 mg 108 mg 34 mg
Ferro 0,3 mg 2,5 mg 0,8 mg
Zinco 0,7 mg    
Vitamina A 56 UI 615 µg  
Tiamina 0,03 mg 0,08 mg 0,05 mg
Riboflavina 0,03 mg 0,18 mg 0,03 mg
Niacina 0,47 mg 1,1 mg 0,9 mg
Ácido fólico 93 µg    
Ácido ascórbico 7,7 mg 16 mg 19 mg

Fonte: Plant Resources of Tropical Africa [1]

Principais aminoácidos do chuchu

Fonte: EMBRAPA [3]

 Referências

  1. Plant Resources of Tropical Africa (PROTA4U): Sechium edule (Jacq.) Sw. - Acesso em 24/11/2014
  2. La Réuniun: Christophine, Chouchou, Chayotte - Acesso em 24/11/2014
  3. EMBRAPA: Chuchu - Acesso em 24/11/2014
  4. Centers for Disease Control and Prevention: Salmonella typhimurium Outbreak Response - Acesso em 24/11/2014
  5. National Center for Biotechnology Information: Sechiumin, a ribosome-inactivating protein from the edible gourd, Sechium edule Swartz - Acesso em 24/11/2014
  6. Imagem: Wikimedia Commons (Author: B. Navez) - Acesso em 24/11/2014
  7. The Plant List - Acesso em 24/11/2014

GOOGLE IMAGES de Sechium edule - Acesso em 24/11/2014

Galeria: