Chorão

Nome científico: 
Salix alba L.
Sinonímia científica: 
Nenhum sinônimo foi encontrado para esse nome.
Família: 
Salicaceae
Partes usadas: 
Ritidoma (casca) da árvore e folhas.
Princípio ativo: 
Glicosídeos fenólicos (salicina é o principal); álcool salicílico; ácidos salicílico, vainílico, sirengico e cafeínico; flavonóides; taninos condensados; sais minerais; ácidos p-cumarínico; catequinas; ácidos e aldeídos aromáticos.
Propriedade terapêutica: 
Anti-inflamatória, antitérmica.
Indicação terapêutica: 
Gripes, resfriados, reumatismo, cefaleias, dismenorreia, espasmos gastrintestinais, disquinesias biliares, transtomos nervosos e prevenção de tromboembolismos.

Formulário de Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira
Chorão tem uso científico comprovado como anti-inflamatório e antitérmico. Preparar por decocção e usar em casos de gripe e resfriado. Para mais informações, consulte a MONOGRAFIA.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: white willow, european willow
  • Alemão: silberweide

Origem
Originário de regiões temperadas do hemisfério norte (Europa, Ásia e América do Norte ). Sua distribuição é praticamente universal.

Descrição
Árvore decídua (perde as folhas no outono) de até 25 m. Folhas de 5 a 10 cm de comprimento, alternas, podendo ter até 4 vezes sua largura. Folhas cobertas por pêlos, flores não-vistosas.

Uso popular e medicinal
As propriedades do salgueiro são conhecidas desde a antiga Grécia. 
Hipócrates, Galeno, Pliny "The Elder" e outros sabiam que a casca do salgueiro poderia ser usada para aliviar dores e reduzir febres. Foi muito utilizado na Europa e na China para o tratamento dessas enfermidades

Este remédio também é mencionado em textos desde o antigo Egito, Suméria e Assíria. Em 1763 o reverendo Stone (Inglaterra) observou que a casca do salgueiro foi eficaz na redução da febre. A casca foi muitas vezes macerada em álcool para produzir uma tintura. O extrato ativo da casca, chamado salicina, foi isolado em sua forma cristalina em 1828 pelo farmacêutico francês Henri Leroux e pelo químico italiano Raffaele Piria, que em seguida conseguiram separar o ácido em seu estado puro. O ácido salicílico, como aspirina, é um derivado químico de salicina.

Em 1899 a indústria farmacêutica Bayer registrou o ácido acetil-salicílico, derivado do ácido salicílico do salgueiro, com o nome de aspirina. A palavra aspirina foi composta por a (ácido) + spir ( do nome espírico, atribuído por Löwig ao ácido salicílico, que ele sintetizara) + ina (sufixo).

No século XX estava bem definida a aplicação da aspirina como terapia antirreumática e então foi identificada nessa droga a propriedade antiagregante plaquetária. Como o ácido acetil-salicílico é geralmente mais bem tolerado que o salicílico, de certa forma o uso do salgueiro e de outras plantas que contêm salicina foi ficando obsoleto.

Salix alba é ainda indicado nas cefaleias, nas dismenorreias por dificuldade na eliminação de coágulos, nos espasmos gastrintestinais, nas disquinesias biliares, nos transtomos nervosos e na prevenção dos tromboembolismos.

 Dosagem indicada

  • Pó: 1 - 4 g, 3 vezes ao dia
  • Extrato: 100 mg, duas vezes ao dia
  • Infusão: 180 - 240 ml, três vezes ao dia
  • Decocção: 30 - 60 ml, três vezes ao dia
  • Tintura (1:5, corn 25% de etanol): 5 - 8 ml, três vezes ao dia
  • Extrato fluido (1:1, corn 25% de etanol): 1 - 2 ml, três vezes ao dia
  • Crianças de 4 - 10 anos: equivalente a 30 - 60 mg de salicina total diários
  • Criancas de 10 - 16 anos: equivalente a 60 - 12 mg de salicina total diários, de acordo corn peso e estatura
  • Folha (infusão): 5 g por xícara, infundir por 10 minutos. Tomar três xícaras ao dia
  • Folha (extrato fluido, 1:1): 30 - 50 gotas, uma ou duas vezes ao dia

 Contraindicação
Contraindicado o uso para indivíduos que sofram de úlcera gastrointestinal, hemofilia, trombocitopenia, hemorragias uterinas, hiperestrogenismo e bronquiectasias. Existem respostas individuais de hipersensibilidade em alguns pacientes asmáticos, diabéticos ou com transtornos hepáticos. 

Interacões com medicamentos [1]

  • Aspirina. Resultado: teoricamente o uso associado pode determinar aumento no risco de sangramento.
  • Varvarina (anticoagulante oral cumarínico). Resultado: o ácido acetilsalicílico presente no salgueiro-branco pode potencializar o efeito anticoagulante do medicamento e de outros fármacos anticoagulantes, com risco de sangramento.
  • Há relatos de interferir com tratamentos com anticoagulantes e estrogênio. Também com metrotexate, metoclopramida, fenitoína, espirolonolactona e valproato.

Ecologia
Ecologicamente, Salix alba atrai insetos, incluindo abelhas, que polinizam desta árvore.

 Colaboração

  • Rosane Maria Salvi, Médica (Porto Alegre, RS), 2009.
  • Eliane, Diefenthaeler Heuser, Bióloga (Porto Alegre, RS), 2009. 

 Referências

  1. SALVI, R.M.; HEUSER E. D. Interações medicamentos x fitoterápicos: em busca de uma prescrição racional. EDIPUCRS, Porto Alegre (RS). 2008.
  2. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP 2013): Curso de Fitoterapia para ginecologistas - Acesso em 17/12/2014
  3. Embrafarma: Salix alba - Acesso em 17/12/2014
  4. Wikipedia: Salix alba - Acesso em 17/12/2014
  5. The Plant List: Salix alba - Acesso em 17/12/2014

GOOGLE IMAGES de Salix alba - Acesso em 17/12/2014

Galeria: