Chia

Nome científico: 
Salvia hispanica L.
Sinonímia científica: 
Kiosmina hispanica (L.) Raf.
Família: 
Lamiaceae
Partes usadas: 
Semente, folha (óleo essencial).
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Mucilagem, ácidos graxos essenciais, vitaminas (B3, B9), fibra, cálcio, oligoelementos.
Indicação terapêutica: 
Prisão de ventre, controle de glicemia, diabetes, hipertensão, obesidade.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: chia, Mexican chia
  • Espanhol: chía

Origem
Nativa do México (centro, sul) e Guatemala. Consumida pelos povos indígenas da América Central há mais de 6.000 anos.

Descrição [5]
Planta anual, cresce de 1 a 2 m de altura. O florescimento ocorre de julho a agosto. As flores são hermafroditas (têm ambos os órgãos masculinos e femininos).

A espécie tem longa história de interação planta-homem. Foi muito utilizada na Mesoamerica onde desempenhou importante papel na subsistência humana substituindo o milho como fonte primária de alimento. Além da culinária, o óleo extraído das sementes serviu como base para tintas e unguentos que eram aplicados no corpo e no rosto. Todas as partes da planta constavam de receitas de vários medicamentos dos povos astecas (aztecas). 

Quando embebidas em água, as sementes formam uma massa gelatinosa que, aromatizada com sumos de frutos, vira uma bebida refrescante conhecida como "chia de água fresca".

Com a chegada dos colonizadores espanhóis o cultivo e consumo de chia foram proibidos, pois foram considerados parte de rituais pagãos (praticado por povos que acreditam em mais de um deus), contrário aos interesses dos cristãos.

Uso popular e medicinal [3,4] 

O interesse atual na planta deve-se ao seu alto conteúdo de ácidos graxos essenciais (ômega-3) e a capacidade de reter água, devido a mucilagem que contém. Estuda-se também a introdução das sementes na alimentação de animais de granja para aumentar o conteúdo de ômega-3 em ovos e laticínios.

Chia é consumida na forma de farinha obtida da moagem das sementes. O valor nutricional dessa farinha é recomendado em preparações como pães, bolos, barras, bebidas, molhos etc. O azeite, resultante da prensagem das sementes, embora não seja usual e cara no preço, é também rico em ômega-3. Indica-se chia para todos com déficit nesta substância, dieta acidificante e pobre em fibra. 

Mulheres grávidas beneficiam-se da chia, que ajuda a controlar a glicemia, fornece aporte extra de ácido graxo, é fonte de cálcio, oligoelementos, vitaminas B3 (niacina) e B9 (ácido fólico). Na menopausa, a espécie ajuda a regular a absorção de açúcares, colaborando no controle de perda de peso.

Esportistas de resistência têm na chia um grande aliado devido a capacidade de melhorar a absorção lenta de açúcar durante a jornada de exercícios, melhorando o rendimento de atletas.
 
Devido a alta quantidade de fibra controladora do trânsito intestinal, recomenda-se contra prisão-de-ventreJunto a uma dieta adequada de diabético, ajuda a melhorar a absorção de açúcar.

Ao lado da linhaça e noz, chia é alimento com maior conteúdo de ômega-3 existente, desempenhando importante papel no tratamento de problemas cardiovasculares como hipertensão.

A fibra de chia proporciona saciedade, repercutindo em menor ingestão de alimentos. Por esta razão é útil contra obesidade.

Uma tese de doutorado em Alimentos e Nutrição na UNICAMP avaliou os efeitos da ingestão da semente e do óleo de chia sobre mecanismos fisiológicos e bioquímicos na prevenção e no tratamento da obesidade e comorbidades, induzida por dieta em modelo animal. Segundo a autora Rafaela da Silva Marineli Campos, "os produtos estudados têm comprovado efeito biológico e potencial funcional e por isso podem beneficiar o estado de saúde da população, seja via suplementação ou por enriquecimento de alimentos". Seu trabalho forneceu subsídios à introdução destes compostos na dieta habitual da população como coadjuvante na prevenção e no controle de desordens metabólicas crônicas, incentivando pesquisas clínicas a este respeito [1].

 Dosagem indicada [5]

Prisão de ventre. 2 a 4 colheres de chá diariamente, durante 1 semana, junto com 1 copo de água. Recomenda-se fazer hidratação, consumir bactérias lácteas (de iogurte), seguir uma dieta abundante em vegetais, frutas, cereais integrais e legumes. Praticar caminhadas ajuda a ativar o trânsito intestinal.

Obesidade. Ingerir 1 colher de chá em 1 copo de água 30 minutos antes da refeição, 3 vezes ao dia.para hidratar a fibra presente nas sementes e aumentar o volume no estômago, deixando a sensação de estômago cheio e satisfeito. Além disso, os carboidratos dos alimentos são absorvidos lentamente, desaparecendo a ânsia por comida. A perda de peso pode ser ainda maior se acompanhada de dieta baixa em gorduras.

Hipertensão. Recomenda-se acrescentar 2 colheres de chá, 2 a 3 vezes ao dia nos pratos, ou tomar com iogurte ou 1 copo de água antes das refeições. A importância dessas sementes na saúde cardiovascular está na propriedade de proporcionar saciedade (ajuda na manutenção do peso), aporte de ômega-3 e de minerais antioxidantes.

Diabetes. A ação da chia decorre de suas fibras. Acrescente 1 colher de chá de chia nos pratos com saladas, frutas, legumes e cereais, para ajudar a absorver mais lentamente os açúcares da comida.

 Culinária [5]
As sementes gelificados (transformadas em gel) podem ser preparadas como papa (sopa) ou pudim. Devido a sua propriedade mucilaginosa, as sementes germinadas (brotos) são consumidas em saladas, sanduíches, sopas, guisados etc.. 

A semente pode ser moída e servida em refeição ou transformada em pão, biscoitos, bolos etc., geralmente numa mistura com farinhas de cereais. Facilmente digeridas, são boa fonte de proteínas e gorduras.

Valor nutricional de sementes de chia [2]

Principais e vitaminas (base seca) Lipideos e ácidos graxos essenciais (g.100 g-1)

 

Lipideos e ácidos graxos essenciais (g.100 g-1)

 Referências

  1. Biblioteca Digital da Unicamp (2016):  Avaliação do potencial da semente e do óleo de chia na prevenção e no tratamento da obesidade e comorbidades induzidas por dieta hiperlipídica e hiperglicídica in vivo - Acesso em 25 de setembro de 2016
  2. Brazilian Journal of Food Technology (2014): Composição química, propriedades funcionais e aplicações tecnológicas da semente de chia (S. hispanica) em alimentos - Acesso em 3 de abril de 2016
  3. Genetic Resources and Crop Evolution (2005): Variation and heritability of seed mass in chia (S. hispanica) - Acesso em 3 de abril de 2016
  4. Botanical Online: Semillas de chía - Acesso em 3 de abril de 2016
  5. Plants for a Future: Salvia hispanica - Acesso em 3 de abril de 2016
  6. Funcionais Nutracêuticos: Chia em grão, farinha, óleo e cápsula. Qual a diferença? - Acesso em 3 de abril de 2016
  7. Imagem: Wikimedia Commons (Author: Dick Culbert from Gibsons, B.C., Canada) - Acesso em 3 de abril de 2016
  8. The Plant List: Salvia hispanica - Acesso em 3 de abril de 2016

GOOGLE IMAGES de Salvia hispanica - Acesso em 3 de abril de 2016

Galeria: