Chapéu-de-couro

Nome científico: 
Echinodorus macrophyllus (Kunth) Micheli
Sinonímia científica: 
Alisma macrophyllum Kunth
Família: 
Alismataceae
Partes usadas: 
Folha seca
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Óleo essencial (componentes majoritários são dilapiol, 2-tridecanona e óxido de cariofileno); sais minerais, tanino, iodo, saponinas, flavonoides, triterpenos, alcaloides, holosídeos e heterosídeos cardiotônicos.
Propriedade terapêutica: 
Diurético, anti-inflamatório, adstringente, antiarrítmico, antirreumático, imunossupressor, citotóxico.
Indicação terapêutica: 
Aterosclerose, doenças da pele, fígado e trato urinário (litíase, nefrite).

Formulário de Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira
Chapéu-de-couro tem uso científico comprovado como diurético leve e anti-inflamatório.

Origem
Nativa do Brasil e Bolívia. No Brasil distribui-se nos Estados do Paraná, Piauí, Amapá, Amazonas, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Descrição [6]
É uma planta aquática, ocorre em vazantes, beira de rio, campos alagáveis e siltosos, preferindo solos de várzeas ou águas pouco profundas. Porte varia de 0,70 a 1,0 m.

Folha peciolada, oval, de base cordiforme e aguda ou acuminada no ápice, limbo inteiro, de cor verde-escura, comprimento de 20 a 40 cm, largura de 15 a 35 cm na região próxima à base, de superfície rugosa, áspera, pedatinérvia, com 11 a 13 nervuras principais, salientes na página inferior. O nome "chapéu-de-couro" deriva do formato da folha ser parecido com os chapéus usados no nordeste do Brasil.

Pecíolo longo, coriáceo, medindo até 70 cm de comprimento, sulcado longitudinalmente. Flores brancas, hermafroditas, perfeitas, numerosas, dispostas em racimos, alongados.

Atenção
Não confundir esta planta com outra espécie de Echinodorus também conhecida por "chapéu-de-couro" e que apresenta propriedades semelhantes:

Uso popular e medicinal

Chapéu-de-couro tem sido usado principalmente na medicina popular como antirreumático e diurético potente. Vários trabalhos evidenciam as ações desta planta. Foram avaliados os efeitos da folha de extrato etanólico em modelos de inflamação aguda e subcrônica; efeitos toxicológicos em ensaios in vitro e in vivo de um extrato aquoso preparado com as folhas; potência de quatro novos diterpenóides isolados das folhas; e a genotoxicidade e mutagenicidade de um extrato aquoso das folhas [2].

Outro estudo recente relata que E. macrophyllus exibe atividades farmacológicas de interesse tais como agente adstringente, diurético, antiarrítmico, anti-inflamatório e antirreumático no tratamento da aterosclerose, doenças da pele, fígado e trato urinário (litíase, nefrite). Tem efeito imunossupressor (inibe os sintomas ou o surgimento de uma doença) e citotóxico (tóxico à célula, impede o crescimento de um tecido celular) [3].

Em termos de componentes químicos foi relatado a presença de sais minerais, tanino, iodo, saponinas, flavonoides, triterpenos, alcaloides, holosídeos e heterosídeos cardiotônicos, que agem como estimulante do suco biliar no intestino delgado e possibilitam a melhoria da função renal [5].

O óleo essencial de E. macrophyllus, extraído das partes aéreas da planta, obteve rendimento de 0,01% a partir de 50 g de material vegetal seco. A análise possibilitou a identificação de 21 componentes, totalizando 70,8% das substâncias identificadas, sendo majoritários o dilapiol (apresenta propriedade inseticida), a 2-tridecanona (substância relacionada com o mecanismo de defesa da espécie frente a ação de predadores e atração de polinizadores) e o óxido de cariofileno (conhecido pelas atividades anti-inflamatória, analgésica e antiúlcera) [4].

 Dosagem indicada [1]
Diurético leve e anti-inflamatório. Componentes: folhas secas (1 g); água q.s.p. (150 mL). Preparar por infusão considerando a proporção indicada na fórmula. Uso interno: acima de 12 anos tomar 150 mL do infuso logo após o preparo, 3 vezes ao dia.

 Advertência. Não deve ser usado por pessoas com deficiência renal e cardíaca. Não utilizar em caso de tratamento anti-hipertensivos .

Outros usos
Chapéu-de-couro é empregado na produção de bebidas sem álcool (refrigerante popular conhecido como "mineirinho") e na ornamentação de aquários. 

 Referências

  1. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 1ª ed. 2011.
  2. Springer Link (2013): Determination and Evaluation of the Metals and Metalloids in the Chapeu-de-couro (Echinodorus macrophyllus) - Acesso em 19 de julho de 2015
  3. Revista Brasileira de Farmacognosia (2013): Changes in the essential oil composition of leaves of Echinodorus macrophyllus exposed to γ-radiation - Acesso em 19 de julho de 2015
  4. Revista FITOS (2012): Atividade antinociceptiva do óleo essencial de Echinodorus macrophyllus - Acesso em 19 de julho de 2015
  5. IV Simpósio sobre Recursos Naturais e Sócioeconômicos do Pantanal (2004): Utilização medicinal de E. macrophyllus por raizeiros no Alto Pantanal - Acesso em 19 de julho de 2015
  6. Associação Argentina de Fitomedicina (2009): Monografia de Echinodorus grandiflorus - Acesso em 19 de julho de 2015
  7. Imagem: Wikipedia (Author: João Medeiros) - Acesso em 19 de julho de 2015 
  8. The Plant List: Echinodorus macrophyllus - Acesso em 19 de julho de 2015

GOOGLE IMAGES de Echinodorus macrophyllus - Acesso em 19 de julho de 2015

 

Galeria: