Chá-verde

Nome científico: 
Camellia sinensis (L.) Kuntze
Sinonímia científica: 
Camellia arborescens Hung T. Chang & F.L. Yu
Família: 
Theaceae
Partes usadas: 
Folhas, botões florais, sementes.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Proteínas, glicídios, ácido ascórbico, vitaminas do complexo B e bases púricas, especialmente cafeínas e polifenóis, monosídeos de flavonoides e flavonas, catecóis, epicatecóis, taninos.
Propriedade terapêutica: 
Antioxidante, antimicrobiana.
Indicação terapêutica: 
Doenças cardiovasculares, câncer, colesterol, aumento do sistema imunológico, mau hálito.

Origem
Nativa das florestas do nordeste da Índia e sul da China.

Descrição
Arbusto perenifólio grande ou arvoreta de 3 a 4 m de altura, copa piramidal densa. Folhas simples, lanceoladas, coriáceas, quase glabras, de 4 a 6 cm de comprimento.

As flores surgem solitárias ou aos pares nas axilas das folhas. São pequenas, com pétalas brancas e perfumadas, possuem muitos estames e um pistilo com 3 estigmas.

Os frutos são cápsulas pequenas, globosas, com 1 a 3 sementes também globosas. É possível produzir óleo para o consumo humano a partir das sementes desta planta (não confundir com o óleo da árvore do chá ). O óleo das sementes é utilizado para fins culinários tal qual o azeite de oliva, em que ocorrem naturalmente a vitamina E, gorduras insaturadas e antioxidantes. Esse óleo também é usado na fabricação de sabonetes e produtos para o cabelo.

Uso popular e medicinal
Todos os chás conhecidos e usados há mais de 5.000 anos em mais de 160 países são obtidos da Camellia sinensis. Depois da água, o chá parece ser o líquido mais consumido pelo humano.

O termo "chá" é empregado para derivados da Camellia sinensis. Bebidas feitas de plantas ou ervas são erroneamente referidas como "chá de ervas". Uma bebida feita de flores de camomila, por exemplo, não é um chá, mas uma tisana ou uma infusão de erva. 

Há em torno de 2.000 variedade de chás. Em geral são classificados em 3 grandes grupos: preto, verde e oolong, diferenciando-se pelo beneficiamento das folhas. Para o preparo do chá-preto, as folhas são fermentadas. Para o preparo do chá-verde, as folhas são apenas escaldadas e fervidas para garantir a preservação da cor. O chá-oolong encaixa-se numa categoria intermediária: passa por um processo de fermentação mais brando, por isso têm aroma menos acentuado do que os pretos. Dos três tipos de chás, o chá-verde é o mais rico em compostos com atividades funcionais.

Chá é rico em fitoquímicos, que são produtos químicos presentes naturalmente nas plantas, sendo alguns benéficos para a saúde. 

Chá contém antioxidantes (flavonoides e polifenóis) que podem reduzir o risco de doenças cardiovasculares e câncer. Pode ajudar a combater o colesterol ruim e aumentar o sistema imunológico. Contém flúor que é benéfico para os dentes e mau hálito. Diversos estudos têm mostrado atividades antimicrobiana.

Chá é rico em cafeína. Todos os tipos de chá contêm mais ou menos a mesma quantidade de cafeina. O teor de cafeina é encontrado nas folhas frescas (4%) de modo que a maneira como o chá é processado não influencia drasticamente a quantidade de cafeina, embora o chá-preto seja mais cafeinado que os outros. Chá-preto contém 4g de cafeina por porção, oolong contém 30g e chá-verde contém 20g. Chá-preto é mais oxidado por causa da forma como é processado (totalmente fermentado), perde um pouco o efeito de polifenóis, enquanto o chá-verde é apenas escaldado, fervido e seco, mantendo-se completamente as suas propriedades de saúde.

É importante escolher o chá certo. No Brasil o chá-verde é comercializado principalmente acondicionado em saquinhos de papel de filtro (sachê). A planta é cultivada e em muitos casos é pulverizada com produtos químicos que, inevitavelmente, acabam em sua xícara de chá. Além disso, é melhor consumir as folhas soltas do chá do que adquirir em saquinhos. As folhas soltas são de melhor qualidade, enquanto os saquinhos geralmente contém muito pó. 

Prefira uma planta cultivada em solos não contaminados e que não tenha passado por tratamentos químicos com pesticidas ou herbicidas. 

Importante lembrar que, ao preparar o chá, não se deve ferver as folhas. Levar a água para ferver e, uma vez fora da panela, jogue 2-4 gramas de folhas e deixe em infusão por alguns minutos. Se estiver com pressa, pode-se derramar a água fervendo sobre as folhas, mas antes mergulhe as folhas em água fria para que suas propriedades não sejam perdidas.

No Brasil o cultivo é restrito ao Vale do Ribeira (SP) e a maior parte é destinada para a produção do chá-preto. O aumento do interesse do público brasileiro pelo chá-verde fez com que a sua produção fosse ampliada, utilizando principalmente o cultivar C. sinensis var assamica IAC 259.

Propriedades funcionais do chá
As propriedades funcionais do chá são devidas ao seu conteúdo polifenólico. Uma bebida típica preparada como infusão em água quente por 3 minutos de 1 g de erva para 100 ml de água contém geralmente entre 250-350 mg de sólidos solúveis do chá, sendo 30-42% do peso em catequinas e 3-6% em cafeina. 

As principais catequinas do chá são (-) epigalocatequina galato (EGCG), (-) epigalocatequina (EGC), (-) epicatequina galato (ECG), epicatequina (EC) e catequina (C). A catequina mais abundante e ativa do chá verde é a EGCG. Além das catequinas, quantidades apreciáveis de flavonoides como quercetina e miricetina e seus glicosideos estão presentes no chá-verde.

 Culinária (suco emagrecedor) 

Chá verde pode ser misturado a outros ingredientes numa receita para acelerar o metabolismo e a queimar gorduras. 

  • Ingredientes:  1 xícara de chá de abacaxi, 1 punhado de hortelã, 1 pedaço de gengibre, 1 xícara de café de chá verde
  • Modo de preparo: coloque todos os ingredientes no liquidificador, acrescente um copo de água e bata até misturar tudo. Não é preciso acrescentar acúçar.

Interações com medicamentos [1] 
Adenosina (antiarrítmico). Resultado: a cafeína presente no fitoterápico atua como inibidor competitivo da adenosina em nível celular, reduzindo o efeito do fármaco.

Anfetamina (estimulante do sistema nervoso central). Resultado: teoricamente a cafeína presente no fitoterápico poderia aumentar o risco de estímulo sobre o Sistema Nervoso Central. 

Antiagregante plaquetário. Resultado: teoricamente a cafeína presente no chá aumenta o risco de sangramento. 

Anticoncepcionais orais. Resultado: o uso simultâneo pode aumentar o efeito adverso de cafeína presente no fitoterápico, devido a redução da depuração deste último produzida pelo fármaco. 

Antidepressivos tricíclicos. Resultado: o tanino presente no chá pode promover precipitação das soluções de amitriptilina e imipramina.

Outras interações: atropina, cimetidina, clozapina, dipiridamol, dissulfiram, efedrina, estróenos, medicamentos hepatotóxicos, fenotiazinas, ferro, fluconazol, fluvoxamina, hipoglicemiantes, inibidores da MAO, lítio, mixiletina, quinolonas, teofilina, varvarina, verapamil.

 Colaboração

  • Rosane Maria Salvi, Médica (Porto Alegre, RS), 2009.
  • Eliane, Diefenthaeler Heuser, Bióloga (Porto Alegre, RS), 2009. 

 Referências

  1. SALVI, R.M.; HEUSER E. D. Interações medicamentos x fitoterápicos: em busca de uma prescrição racional. EDIPUCRS, Porto Alegre (RS). 2008.
  2. Food Science and Technology: Chá verde brasileiro (Camellia sinensis var assamica): efeitos do tempo de infusão...- Acesso em 17/12/2014
  3. Ki Organics: Fancy an organic cup of tea? - Acesso em 17/12/2014
  4. Globo.com: Suco emagrecedor com gengibre e chá verde - Acesso em 17/12/2014
  5. The Plant List: Camellia sinensis - Acesso em 17/12/2014

GOOGLE IMAGES de Camellia sinensis - Acesso em 17/12/2014

Galeria: