Castanheiro-do-pará

Nome científico: 
Bertholletia excelsa Bonpl.
Sinonímia científica: 
Barthollesia excelsa Silva Manso
Família: 
Lecythidaceae
Partes usadas: 
Noz (castanha)
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Fonte de vitaminas e minerais, tiamina, vitamina E, cálcio, magnésio, fósforo, cobre, manganês.
Propriedade terapêutica: 
Antioxidante.
Indicação terapêutica: 
A ingestão adequada de selênio (presente na castanha) está relacionada com a redução do risco de contrair câncer (próstata, mama); doenças do fígado, problemas estomacais.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: Brazil-nut, brazilnut, butternut, cream nut.
  • Espanhol: castaña, castaña del Brasil, nuez del Brasil, conduiro, jiturede, castanha del maranon, coquito del Brazil, tapa, almendra
  • Italiano: noce del brasilie
  • Alemão: paranuss

Origem
América do Sul (Guianas, Brasil, Venezuela, Colômbia, Perú, Bolíva).

Descrição
Castanha-do-pará, uma das principais nozes comercializadas no mundo, é a semente comestível de uma árvore de grande porte da América do Sul (B.  excelsa) encontrada nas Florestas Amazônicas do Brasil, Peru, Colômbia e Equador. É particularmente conhecida no estado do Pará, onde é chamada de castanha-do-pará (ou noz- do-Pará). A coleta da castanha constitui hoje uma das principais atividades econômicas da região amazônica.

A árvore cresce nas matas virgens da bacia do rio Amazonas onde, muitas vezes, sobrepõe seus vizinhos, atingindo mais de 9 metros de altura, com sua coroa se espalhando por mais de 30 metros de diâmetro.

O tronco que a sustenta mede entre 1,8 e 2 m de diâmetro, mas espécimes de até 3 metros têm sido encontradas. O castanheiro-do-pará não pode, contudo, ser cultivado em áreas de plantações devido a complexas exigências ecológicas da árvore.

Os frutos são grandes cápsulas lenhosas e esféricas, de 8 a 18 cm de diâmetro, que se assemelham a cocos, pendurados nas extremidades dos ramos grossos da árvore. Um fruto típico de 15 cm pode pesar até 16 kg. Os frutos amadurecem de janeiro a junho e caem no chão, onde são colhidos. Dentro do fruto ficam as sementes (castanhas), que são organizadas como os gomos de uma laranja. As sementes são retiradas, secas ao sol, em seguida lavadas e exportadas ainda na casca. A casca marrom é muito dura e tem três lados. Ricos em gordura e proteína, a parte esbranquiçada tem o gosto semelhante ao da amêndoa ou do coco e é tão rica em óleo que queima como uma vela quando acesa.

O castanheiro-do-pará pertence à família Lecythidaceae assim como outras árvores tropicais valorizadas por seus frutos e nozes, como a "árvore de bala de canhão" (Coroupita guianenses), "pêra anchova" (Grias cauliflora) e "cumbuca-de-macaco" (ou sapucaia, Lecythis ollaria).

Valor nutricional
A castanha contém cerca de 70% de óleo (ácidos graxos palmítico, oleíco e linoleíco) e 17% de proteína (rica em aminoácidos sulfurados como cisteina e metionina).

Nutricionalmente a castanha-do-pará é boa fonte de algumas vitaminas e minerais. Um copo (33 gramas) de castanha contém vitaminas, tiamina (0,8 mg - 55% DV) e vitamina E (7,6 mg DV 38%); cálcio (213 mg - 21% DV), magnésio (500 mg - 125 % DV), fósforo (946 mg - 96% DV), cobre (2 mg - 116 DV%) e manganês (1,6 mg - 81%).

A castanha é talvez a mais rica fonte alimentar de selênio, um antioxidante importante nas reações metabólicas do organismo.

Pesquisas recentes sugerem que a ingestão adequada de selênio está relacionada com a redução do risco de contrair câncer tanto de próstata quanto de mama, o que tem levado profissionais de saúde e nutricionistas a recomendar o consumo de castanha como medida de proteção. 

A castanha tem uma das mais altas concentrações de ácido fítico em 2 a 6% do peso a seco. O ácido fítico pode prevenir a absorção de alguns nutrientes, principalmente ferro, mas é também um assunto de pesquisa e, possivelmente, confere benefícios para a saúde. Apesar dos possíveis benefícios, a União Européia impôs normas rigorosas sobre a importação da castanha-do-pará em suas conchas, pois as conchas encontradas continham altos níveis de aflatoxinas, o que pode levar ao câncer de fígado.
 
A castanha-do-pará contém pequenas quantidades de rádio, cerca de 1-7 pCi / g (40-260 Bq / kg), e a maior parte não é retida pelo corpo. Embora pequena, é 1.000 vezes maior do que em outros alimentos. De acordo com Universidade Oak Ridge Associated, isso não é por causa dos níveis elevados de rádio no solo, mas devido ao "sistema de raiz muito extensa da árvore."

Outros usos
O óleo da castanha é frequentemente usado em xampus, sabonetes, condicionadores de cabelo e produtos para a pele por ser excelente humidificador. Cremes com sua composição proporcionam maciez à pele, ajudando a lubrificá-la e a mantê-la hiidratada.

As nozes doces são é importante fonte de proteínas e calorias para os povos indígenas do Brasil e das áreas rurais e urbanas. Amazonenses também usam os frutos vazios como recipientes e preparam a casca para tratar doenças do fígado. A infusão das sementes são utilizadas para problemas estomacais. 

Além do uso alimentar, o óleo da castanha é empregado como lubrificante de relógios e na fabricação de tintas para a pintura artística.

A madeira da castanheira é de excelente qualidade, mas o corte das árvores é proibido por lei nos três países produtores (Brasil, Bolívia e Peru). A extração ilegal da madeira e desmatamentos de terra representam ameaça de extinção.

 Colaboração

  • Tarsila Sangiorgi Rosenfeld, Comunicóloga, São Paulo (SP). Outubro de 2012.
  • Ana Lúcia Teixeira de Lima Mota, Bióloga, São Paulo (SP).
  • Martha Batista, Pedagoga e Terapêuta Naturalista, Florianópolis (SC).

 Referências

  1. Encyclopædia Britannica: Brazil nut - Acesso em 25 de outubro de 2015
  2. LORENZI, H.; MATOS, F. M. A. Plantas Medicinais no Brasil, nativas e exóticas. Instituto Plantarum, Nova Odessa (SP), 2002.
  3. Integrated Taxonomic Information System (ITIS): Bertholletia excelsa - Acesso em 25 de outubro de 2015
  4. Wikipedia: Brasil nut - Acesso em 25 de outubro de 2015
  5. Wildscreen Arkive: Brazil-nut tree - Acesso em 25 de outubro de 2015
  6. The Plant List: Bertholletia excelsa - Acesso em 25 de outubro de 2015

GOOGLE IMAGES de Bertholletia excelsa - Acesso em 25 de outubro de 2015

Galeria: