Caruru, bredo

Nome científico: 
Amaranthus viridis L.
Sinonímia científica: 
Albersia caudata (Jacq.) Boiss.
Família: 
Amaranthaceae
Partes usadas: 
Folhas, talos e sementes.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
As folhas são ricas em taninos vegetais, saponinas, alcaloides, proteínas e glicosideos. Contém boa quantidade de ferro, potássio, cálcio e vitaminas A, B1, B2 e C.
Propriedade terapêutica: 
Lactígeno, emoliente, vermífuga, antibacteriana, antidiabética, anti-hiperlipidêmica, antioxidante.
Indicação terapêutica: 
Infecções, problemas hepáticos, hidropsia, catarro da bexiga, tratamento da inflamação durante a micção, constipação, disenteria.

 Esta espécie é considerada Planta Alimentícia Não Convencional.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: green amaranth
  • Francês: amarante verte
  • Alemão: grüner amarant
  • Espanhol: bledo
  • Italiano: amaranto verde

Origem 
Nativa da América tropical, considerada planta invasora. Ocorre com frequência em solos com bom teor de matéria orgânica. Possui grande capacidade reprodutiva 
e tem curto ciclo vegetativo.

Descrição
Espécie herbácea, anual, às vezes perene, de 10 a 60 cm de altura. Cresce em locais onde se pratica alguma atividade agropecuária, terrenos baldios e ao longo das margens de rodovias.

Apresenta caule ereto ou decumbente, fino, suculento, ramificado desde a base, glabro, com predomínio de coloração verde, podendo apresentar pigmentação vermelha.

Folhas simples, alternadas, geralmente escassas e espaçadas, longo pecíolo verde ou com pigmento avermelhado. Limbo lanceolado com manchas irregulares de diferentes tons, margem levemente ondulada e ápice com pequena reentrância. 

Inflorescência terminal em panícula formada de espigas com flores unisexuais pequenas, com até 3 pétalas de 1,5 a 2 mm de comprimento. Flores de sexo masculino situam-se nas pontas das inflorescências e as femininas na base. Tanto as masculinas quanto as femininas são rodeadas por brácteas. A floração ocorre durante todo o ano.

Fruto pequeno (1,5 a 2 mm de comprimento), superfície enrugada, contém uma única semente castanho-escuro (1 a 1,5 mm de diâmetro) com uma textura de superfície verrucosa.

A propagação é por meio de sementes.

Uso popular e medicinal 
A decocção da planta inteira é usada para conter disenteria e inflamação. A planta é antidiabética, anti-hiperlipidêmica (diminui a concentração de gordura no sangue), antioxidante, emoliente, vermífuga. Possui lectinas com atividades antiproliferativa (não deixa as células multiplicarem-se) e antifúngica (previne ou inibe a proliferação de fungos).

O suco da raiz é utilizado para tratar a inflamação durante a micção, prisão de ventre e constipação.

Ajuda a defender o organismo contra infecções. É recomendada como preventivo no tratamento de problemas hepáticos.

O infuso favorece a diurese e tem aplicação nas moléstias do fígado, na hidropsia e no catarro da bexiga. É bom lactígeno.

Pesquisadores relatam que o extrato metanólico de folhas secas e sementes de A. viridis apresentam atividade antibacteriana contra diferentes estirpes de bactérias e fungos. O rendimento do extrato de folhas secas e sementes variou 5,5 - 6,1 e 2,42 % - 3,72 % w/w, respectivamente. A análise fitoquímica mostrou que as folhas são ricas em taninos vegetais (6,07% - 5,96%), saponinas (53% -32%), alcaloides (13,14% - 11,42%), proteínas (16,76% - 24,51%) e glicosideos (63,2% - 32,3%) [3].

 Culinária
Após cozidos e escorridos, as folhas e os talos do caruru são utilizados em refogados, molhos, tortas, pastéis e panquecas.

As sementes são usadas para fazer pães e podem também ser ingeridas torradas ou cozidas. São pequenas e muito nutritivas, contém 14 a 16% de proteína e 4,7 a 7% de gordura. 

Pesquisadores de vários países dedicam-se a resgatar esta planta como uma espécie capaz de ajudar a enfrentar a situação de fome e desnutrição em algumas regiões por sua rusticidade, fácil cultivo, paladar agradável e ótimas qualidades nutricionais das folhas, talos e sementes, das quais pode-se extrair farinha. 

Valor nutricional do peso seco das folhas por 100 g de alimento [1]

Calorias 283
Água 0%
Proteína 34,2 g
Gordura 5,3 g
Carbohidratos 44,1 g
Fibra 6,6 g
Cinzas 16,4 g
Cálcio 2243 mg
Fósforo; 500 mg
Ferro 27 mg
Magnésio 0 mg
Sódio 336 mg
Potássio 2910 mg
Zinco 0 mg
Vitamina A 50 mg
Tiamina (B1) 0,07mg
Riboflavina (B2) 2,43mg
Niacina (B3) 11,8mg
B6  0 mg
Ácido ascórbico (C) 790 mg

Outros usos 
Corantes amarelos e verdes podem ser obtidos a partir da planta inteira.

Curiosidade
Esta planta era amplamente consumida e prestigiada por antigas civilizações das Américas Central e do Sul, onde existem registros arqueológicos que revelam seu cultivo há milhares de anos. Era associada ao milho como planta sagrada.

Nota
Algumas plantas também são chamadas de caruru, mas não são da família Amaranthacea. É o caso do caruru-de-sapo, Oxalis martiniana Zuccini, família Oxalidaceae; o caruru-do-reino, Boussingualtia baselloides H.B.K., família Baselaceae; caruru-bravo, família Fitolacaceae; caruru-das-cachoeiras, Mourera fluviatilis Aublet, família Podostemaceae; caruru-língua-de-caca, Talinum patens Jacquin, família Portulacaceae; e muitas outras.

 Colaboração

  • João Luiz da Cruz Dias, arquiteto aposentado pelo Centro Federal de Ensino Tecnológico (CEFET/PA). Setembro de 2006.
  • Érika Alves Tavares Marques (Universidade Federal Rural de Pernambuco, PE)., Setembro de 2006.
  • Wallace Bezerra de Menezes, Engenheiro Eletricista (EPUSP), São Paulo. Setembro de 2006.
  • Tarsila Sangiorgi Rosenfeld, Comunicóloga (São Paulo, SP). Setembro de 2006.​

 Referências

  1. Plants for a Future: Amaranthus viridis - Acesso em 18 de outubro de 2015
  2. Research In Pharmaceutical Biotechnology: Pharmacognostic evaluation of the Amaranthus viridis L. - Acesso em 18 de outubro de 2015
  3. Scientific Research: Phytochemical profiling with antioxidant and antimicrobial screening of Amaranthus viridis L. leaf and seed extracts - Acesso em 18 de outubro de 2015
  4. Gardening directions: Jamaican Callaloo - Acesso em 18 de outubro de 2015
  5. Brisbane City Council: Green amaranth - Acesso em 18 de outubro de 2015
  6. Horto Didático de Plantas Medicinais do HU (UFSC): Caruru-de-mancha - Acesso em 18 de outubro de 2015
  7. Agrolink: Caruru comum - Acesso em 18 de outubro de 2015
  8. MOREIRA, H. J. C; BRAGANÇA, H. B. N. Manual de Identificação de Plantas Infestantes. FMC Agricultural Products, São Paulo (SP). 2011
  9. ZURLO, C.; BRANDÃO, M. As Ervas Comestíveis. Editora Globo S/A. São Paulo (SP).
  10. Grau, Jung & Münker. Plantas Medicinales. Editora BLUME, Barcelona, ES.
  11. MOREIRA, F. As Plantas que Curam. Editora Hemus. São Paulo (SP).
  12. Guias Rurais. Horta e Saúde.  Editora Abril, São Paulo (SP).
  13. BALBACH, A. A flora nacional na medicina doméstica. Edições “A edificação do lar”, v. 2, 4ª ed. São Paulo (SP).
  14. The Plant List: Amaranthus viridis - Acesso em 18 de outubro de 2015

GOOGLE IMAGES de Amaranthus viridis - Acesso em 18 de outubro de 2015

Galeria: