Capuchinha

Nome científico: 
Tropaeolum majus L.
Sinonímia científica: 
Cardamindum majus Moench
Família: 
Tropaeolaceae
Partes usadas: 
Folha, botão floral e flor.
Princípio ativo: 
Mirosina, açúcares (glicose, frutose), óleo graxo (20% nas sementes), albuminas, óleo essencial, substâncias antibióticas, glicosideo (glucotrapaeoline, 1,5% nas sementes), isotiocianato (óleo mostarda), pigmentos, resinas, pectina, vitamina C, minerais.
Propriedade terapêutica: 
Expectorante, desinfetante, nutricional, aperiente, digestivo, antiescorbútico, antisséptico, fortificante dos cabelos, tônica do sangue, diurética, depurativa.
Indicação terapêutica: 
Depressão nervosa, estafa, limpeza de pele e olhos, desinfetar e cicatrizar feridas, tratamento de afecções cutâneas, enfizema pulmonar, desinfetante das vias urinárias, fortalecer o couro cabeludo.

 Esta espécie é considerada planta alimentícia não convencional.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: indian cress, nasturtium
  • Alemão: kapuzinerkresse, gelbes vögerl, kapuzinerli, salatblume
  • Espanhol: mastuerzo de Índias, capuchina
  • Francês: capucine
  • Italiano: cappucina

Origem
Peru e México. Foi levada à Europa pelos descobridores.

Uso popular e medicinal
O vegetal é comestível, tem sabor semelhante ao do agrião, podendo suas folhas e flores serem consumidas em forma de saladas revitalizantes na primavera (em caso de avitaminoses).

Seu sabor picante e ação antibiótica é devido aos compostos similares ao óleo de mostarda, a glucotrapaeolina, que com a presença da enzima específica (mirosina) libera glicose e isotiocianato de benzila.

A presença do composto sulfurado explica o sabor picante do enxofre, bem como a ação antibiótica e antifúngica. O uso das folhas e flores abre o apetite e favorece a digestão, além de ter propriedades antiescorbúticas. Também reputa-se ação depurativa.

Com propriedades antissépticas e tônicas do sangue e dos órgão digestivos, a capuchinha pode ser utilizada nas depressões nervosas e estafas.

Pode também ser utilizada na limpeza de pele e dos olhos. Os frutos, quando secos e reduzidos a pó, constituem um bom purgante. Produz ótimos resultados no tratamento de escrofuloses, eczemas, psoríases e outras afecções cutâneas.

Muito utilizado desde tempos remotos para desinfetar e cicatrizar feridas.

A semente é um antibiótico vegetal, ativo contra os microorganismos dos gêneros estafilococo, proteus, estreptococo e salmonela.

As substâncias contidas nas sementes são intensamente eliminadas pela urina e parcialmente pelos pulmões. São portanto usadas pelo seu efeito desinfetante em caso de infecções agudas das vias urinárias ou dos brônquios, geralmente sob a forma de comprimidos.

O teor significativo da vitamina C e a presença do óleo de mostarda fazem aumentar naturalmente as defesas do organismo.

O suco fresco das plantas tem os mesmos efeitos: a dose é de 30 a 50g ao dia.

As flores e folhas também possuem este antibiótico natural que não interfere na flora intestinal, sendo efetiva mesmo contra os microorganismo que já adquiriram resistência à antibióticos comuns.

Em casos de enfizema pulmonar, o suco tem notável efeito quando bebido com leite. Tem também a reputação de promover produção de células vermelhas na medula óssea.

 Dosagem indicada
Afecções pulmonares, expectorante
Em um pilão, coloque 2 colheres (sopa) de folhas frescas. Amasse bem e em seguida adicione 1 xícara (chá) de leite quente. Coe em uma peneira. Tome 1 xícara (chá), 2 vezes ao dia, podendo ser adoçado com mel.

Diurético, desinfetante das vias urinárias
Em 1 xícara (chá), coloque 1 colher (sopa) de folhas frescas ou secas picadas e adicione água fervente. Abafe por 10 minutos e coe. Tome 1 xícara (chá), 2 vezes ao dia. Recomenda-se não tomar este infuso após as 17h.

Alimento nutritivo
Em um recipiente, coloque 1 punhado de folhas e flores frescas picadas, 1 cebola média picada, 1 maçã picada e 1 xícara (chá) de trigo para quibe já preparado. Tempere com sal e limão. Deve ser consumida antes das principais refeições.

Fortalecer o couro cabeludo, cabelos fortes e brilhantes, crescimento de cabelos, prevenção da queda de cabelos
Em um pilão coloque 2 colheres (sopa) de folhas frescas de capuchinha e 2 colheres (sopa) de folhas frescas de bardana. Amasse bem e acrescente 1 xícara (chá) de álcool de cereais a 80%. Deixe em maceração por 5 dias. Coe em um pano, espremendo bem. Aplique a loção no couro cabeludo, fazendo uma ligeira fricção. Espere 5 minutos e enxague com água morna. Repita 1 vez por semana.

 Efeito colateral
No caso de consumir em grandes quantidades, pode have irritação do estômago, intestino ou rins. Para fórmulas preparadas com doses estabelecidas, não há com que se preocupar.

 Culinária
As flores e folhas podem ser empregadas em saladas. No vinagrete, os brotos de flores podem ser utilizados em substituição às alcaparras. Também torna-se um alimento delicioso, consumido em forma de patê preparado com ricota.

Qualquer de suas partes pode ser batida com manteiga amornada, para então oferecer à manteiga um sabor especial. É uma ótima sugestão consumir no pão ou torrada.

Veterinária
Dar às galinhas em forma de alimento para prevenir e curar por vírus.

Curiosidades
Os indígenas das montanhas peruanas há séculos já conheciam e utilizavam as propriedades medicinais desta planta.

Nas antigas embarcações, as tripulações eram frequente e rudemente atacadas pelo escorbuto. A bordo dos navios a vela, jamais faltavam os brotos e os frutos da capuchinha, como medicamento útil contra a grave enfermidade.

Nos tempos remotos, a planta era utilizada para tingir de amarelo os tecidos de lã.

 Referências

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  2. CHIEJ, R. The Macdonald Encyclopedia of Medicinal Plants. Macdonald, London. 1984.
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  5. GREM, J.; JUNG, M. Plantas Medicinales - bayas, verduras silvestres. Editora Blume, 1998. (Colección Guias de Naturaleza)
  6. KEVILLE, K. The Illustrated Herb Encyclopedia: A complete culinary, cosmetic, medicinal and ornamental guide to herbs. Mallard Press, NY. 1991
  7. LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil - Nativas e Exóticas. Instituto Plantarum, Nova Odessa, 2.ed. 2008.
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  11. THOMSON, W. A. R. Guia Práctica Ilustrada de las Plantas Medicinales. Editora Hemus, Barcelona, 1981.
  12. VOLAK, J.; STODOLA, J. Plantas Medicinais. Editorial Inquérito, Lisboa, 1990.
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  14. Imagem: Ana Lúcia Teixeira de Lima Mota, Bióloga (São Paulo, SP). Outubro 2016.
  15. The Plant List: Tropaeolum majus - Acesso em 6 de setembro de 2015

GOOGLE IMAGES de Tropaeolum majus - Acesso em 6 de setembro de 2015

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