Capim-limão, capim-cidró

Nome científico: 
Cymbopogon citratus (DC.) Stapf.
Sinonímia científica: 
Andropogon cerifer Hack.
Família: 
Poaceae
Partes usadas: 
Folha.
Princípio ativo: 
O óleo essencial de capim-limão ( 0,2 a 0,5% ) consiste principalmente de citral. Outros terpenoides: nerol, limoneno, linalol e β-cariofileno.
Propriedade terapêutica: 
Bactericida, antiespasmódico, calmante, analgésico suave, carminativo estomáquico, diurético, sudorífico, hipotensor, antirreumático.
Indicação terapêutica: 
Insônia, nervosismo, ansiedade, digestivo estomacal, gases intestinais.

Formulário de Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira
Capim-limão tem uso científico comprovado como antiespamódico, ansiolítico e sedativo leve. Para mais informações consultar a monografia.

Nomes em outros idiomas

  • Inglês: lemon grass, west indian lemongrass.
  • Francês: verveine des indes
  • Alemão: zitronengras, citronella, lemongras
  • Espanhol: zacate de limón, te de limón, caña de limón, citronella, hierba de limón, malojillo
  • Italiano: cimbopogone

Origem
Espécie originária da Índia. Sua introdução no Brasil é muito antiga, possivelmente já no tempo colonial era utilizada como planta ornamental, sendo encontrada cultivada em todo o país.

Descrição
É uma erva perene, ereta, cespitosa, de 0,60 a 3 m de altura, com caule rizomatoso muito ramificado, escuro, curto, semi-subterrâneo e palhoso. As raízes são fibrosas, escuras e numerosas. Dos rizomas partem colmos em tufos eretos e folhosos.

As folhas são moles, basais, planas, glabras, estreitas e longas (0,50 a 1 m), invaginantes, aromáticas, paralelinérveas, com margens ásperas e cortantes e ápice acuminado. Têm lâmina de cor verde-grisácea com veios bem visíveis na face inferior e de cor verde-brilhante e lisa na face superior, lígula e bainha forte, não-articulada com o limbo.

As flores são em espiguetas sésseis, canaliculadas no lado ventral, têm de 4,5-5 mm de comprimento, 0,80-1 mm de largura e margens ciliadas. As espiguetas situam-se sobre ráquis que formam racimos curtos (1 a 1,50 cm) que, por sua vez, formam panículas contraídas, bracteosas e terminais. O florescimento é raramente observado no Rio Grande do Sul.

Os frutos são cariopses oblongas, secos indeiscentes.

Planta estolonífera, constituindo touceiras compactas e grandes, formadas por numerosos colmos eretos, simples ou ramificados, de 2 a 3 m de altura, exalando um aroma característico, lembrando o do limão.

Uso popular e medicinal
Capim-limão tem uso científico comprovado como antiespamódico, ansiolítico e sedativo leve. Indicado em casos de insônia, nervosismo, ansiedade, digestivo estomacal e gases intestinais, diarréias, dores estomacais e problemas renais.

O rendimento do óleo essencial na espécie C. citratus, nas condições de Viamão (RS), tem sido de 0,4 a 0,6%. Este óleo é usado em perfumaria para a produção de b-ionona (aroma de violetas), na síntese da vitamina A e como antisséptico, por sua ação fungistática.

Por estas inúmeras aplicações, o óleo essencial do capim-cidró tem procura no mercado nacional e internacional, cujos preços são considerados compensadores, embora a produção por hectare seja baixa quando comparada a outras gramíneas aromáticas. Isto se deve a três fatores: menor resistência ao frio, que queima as extremidades das folhas; crescimento mais lento; maior propensão à ferrugem da folha.

Dosagem indicada

Insônia, nervosismo, ansiedade, digestivo estomacal e gases intestinais.  Em 1 xícara (chá), coloque 1 colher de (sopa) de folhas frescas bem picadas e adicione água fervente. Abafe por 5 minutos e coe. Acrescente gotas de limão e adoce com mel. Tome 1 xícara (chá), de 1 a 2 vezes ao dia.

Diarréias, dores estomacais e problemas renais. Infusão: 4 xíc. de cafezinho de folhas picadas em 1 litro de água, tomar 1 xícara 2 a 3 vezes ao dias.

 Toxicidade
Pode ser abortivo em doses concentradas.

Cultivo
Variedades. Não se conhecem variedades desta espécie, pelo menos no sul do Brasil. Por vezes é considerada como variedade uma outra espécie: o Capim-cidró (II) Cymbopogon flexuosus (Nees) Stapf., com um teor mais alto de citral (70-85%). E
sta espécie é muito pouco cultivada no Brasil.

Solos. Vegeta melhor nos areno-argilosos, embora tolere os arenosos e mesmo os argilosos. Umidade em excesso bem como os solos demasiadamente secos são impróprios a esta cultura. É planta esgotante do solo, exigente em matéria orgânica e nutrientes. Por isso, as touceiras devem ser desmanchadas ao final de 3 a 5 anos, para renovar a cultura em outro local. No solo antes ocupado pela cultura, plantar leguminosas e outras raízes profundas.

Clima. Climas tropical, subtropica e até o temperado-brando são indicados para a cultura. Ressente-se dos ventos frios e das geadas no inverno que queimam as folhas, embora não cheguem a matar as plantas. Recomendam-se as vertentes leste ou norte bem ensolaradas, marcando as linhas de cultivo em curva de nível.

Propagação. Como a planta praticamente não floresce no Rio Grande do Sul, não há como propagá-la por sementes. A propagação é, então, feita por divisão das touceiras. Ao retirar as mudas, deve-se encurtar as folhas e aparar as raízes, não deixando que sequem, mantendo-as umedecidas ou imersas em água. Selecionam-se as melhores mudas.

Plantio. Realizado de fins de agosto até outubro. Em locais menos frios, também pode ser feito em março-abril. As mudas são colocadas em linhas distanciadas de 0,60 a 0,80 m, deixando as plantas separadas de 0,30-0,40 m, entre si, nas linhas.

Tratos culturais. São poucos, constando de replantio das falhas, pois várias mudas não vingam no plantio. Realizam-se capinas e irrigações, as quais se restringirão aos períodos de forte seca. Na primavera é feita uma adubação complementar entre as linhas.

Pragas e doenças. Em condições de solo inadequado e/ou excesso de chuvas, combinadas com forte calor, poderá ocorrer o aparecimento de fungos de ferrugem das folhas. Um arestamento na ponta das folhas pelos ventos frios será fato normal nas nossas condições climáticas. Poderá, ocasionalmente, ocorrer o aparecimento de pulgões ou cochonilhas na base das folhas ou nos rizomas.

Colheita. A colheita da parte aérea (folhas e colmos novos) se inicia 6 meses após o plantio, apresentando, no 1º ano, baixo rendimento. As plantas devem ser cortadas a 10 cm acima do solo para que rebrotem sem prejudicar os rizomas. Cortes de 10.000 kg/ha de planta verde são normais no 1º corte de cada ano, reduzindo-se nos demais. Ao secar, a redução de peso será da ordem de 60% (o rendimento em óleo varia de 0,4 a 0,6% na planta verde).

Outros usos
A planta é usada como fixadora das margens de estradas e rodovias.

 Colaboração

  • Sérgio Antonio Barraca, estudante de graduação da ESALQ/USP, Piracicaba (SP), 1999.
  • Rosa Lúcia Dutra Ramos, Bióloga, Porto Alegre (RS). Maio, 2004.

 Referências

  1. Cultivo de Horta Medicinal - Acesso em 14 de junho de 2015
  2. Boletim Técnico da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (FEPAGRO). Porto Alegre, n. 11, março de 2003.
  3. Gernot Katzer´s Spice Pages: Lemon Grass - Acesso em 14 de junho de 2015
  4. PANIZZA, S. Plantas que Curam - Cheiro de Mato. IBRASA, São Paulo, 4a ed., 1997.
  5. The Plant List: Cymbopogon citratus - Acesso em 14 de junho de 2015

GOOGLE IMAGES de Cymbopogon citratus - Acesso em 14 de junho de 2015