Cambará

Nome científico: 
Lantana camara L.
Sinonímia científica: 
Lantana glandulosissima f. sargentii (Moldenke) I.E.Méndez
Família: 
Verbenaceae
Partes usadas: 
Folha, raiz.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
α-amirina, lantanarona, lantadeno, ácidos lantanílico, lantanólico, lantoico; ácido oleanólico, triacontan-l-ol, verbascósido, ácido betulínico, butolônico, lantabetulínico; β-sitosterol, ácido ursólico, furanonaftoquinonas, óleo essencial com terpenos.
Propriedade terapêutica: 
Antipirético, carminativa, antibacteriana, tônico, sudorífero, febrífugo, balsâmico, expectorante, emoliente.
Indicação terapêutica: 
Infecções do sistema respiratório, asma, tosse, coqueluche, tosse, bronquite, pneumonia

Nome em outros idiomas

  • Inglês: lantana, big-sage, wild-sage, red-sage, white-sage, tickberry
  • Alemão: wandelröschen

Origem
América Tropical.

Descrição [2]
Espécie subarbustiva perene, desenvolve-se em todo o Brasil com frequência em pastagens, onde passa a ser uma ameaça pelo fato de possuir princípios tóxicos. Instala-se também em áreas com lavouras e fruticultura.

Apresenta caule ramificado desde a base, ramos verdes a avermelhados, quadráticos, às vezes com os ângulos aculeados e revestidos por curta pilosidade. Folhas simples, opostas cruzadas, pecíolo curto e sulcado, limbo ovalado de base arredondada e ápice agudo, pubescente em ambas as faces e com as margens crenado serreadas.

Inflorescência axilar do tipo corimbo, com longo eixo e contendo numerosas flores. Flores assentadas sobre brácteas foliáceas, cálice com 5 sépalas soldadas, corola zigomorfa, amarelada a alaranjada, com tubo e 4 lobos distintos, androceu com 4 estames epipétalos e gineceu bicarpelar. Fruto carnoso do tipo nuculâneo, enegrecido na maturidade, cujas sementes são dispersadas pela avifauna.

Fornece alimentos para abelhas jataí e europa.

Uso popular e medicinal

chá das folhas é antirreumático, febrífugo, béquico e expectorante. Tem ação marcante sobre as afeçções do aparelho respiratório como tosse, bronquite, asma e coqueluche. O chá ou o xarope da raiz do camará é antiasmático e peitoral [4]

Na constituição química foram detectados os seguintes compostos: α-amirina, lantanarona, lantadeno (B,C, D), ácido lantanílico, lantanólico, lantoico; ácido oleanólico, triacontan-l-ol, verbascósido, ácido betulínico butolônico e lantabetulínico; β-sitosterol, ácido ursólico, furanonaftoquinonas e um óleo essencial que tem múltiplos terpenos [1]

Um experimento demonstrou a atividade antibacteriana do extrato etanólico de folhas e raízes de L. camara e L. montevidensis  contra estirpes de bactérias multi-resistentes gram-positivas e gram-negativas isoladas a partir de material clínico [3].

 Dosagem indicada

Asma, tosse e coqueluche. Colocar 20 g de folhas secas de cambará em 1 litro de água quente. Deixar repousar por uns 10 minutos. Tomar 4 a 5 xícaras ao dia. Xarope: bater algumas raízes de camará, algumas raízes de pajamarioba (Cassia serieca) e raiz de urucu (Bixa orellana). Ferver em um pouco de água junto com um limão bem verde e folhas de limoeiro. Coar, em seguida ferver com mel de abelha até apurar. Tomar várias colheres de sopa ao dia [4].

Antiasmático e peitoral. Cozinhar, em 250 g (250 ml) de água, 10 g de raiz de camará ou em xarope - 40 g de raiz para 800 g (800 ml) de água. Adoçar o suficiente para virar um xarope [4].

Tônico, sudorífero, febrífugo, balsâmico, expectorante, emoliente. Infuso ou decocto a 5%, de 2 a 3 xícaras ao dia. O extrato fluido, de 5 a 15 ml ao dia. E o xarope, de 100 a 300 ml ao dia [1]. 

Interações medicamentosas e associações
Pode ser associada agrindélia e a erva-silvina com mel de jataí em balas para tosse e bronquite. E ainda com erva-cidreira, assa-peixe e barbasco para pneumonia [1]

Toxicidade
Contém um princípio tóxico triterpenoide chamado lantadena que causa ictericia e fotossensibilização. A casca pode causar hepatotoxicidade. A folha demonstrou atividade supressiva litogênica de biles. Atividade imunossupressora. Inibição à formação de peróxidos lipídicos [1]

A lantanina contida nas folhas verdes pode produzir fotossensibilização nos animais e colapso neurocirculatório [4].

 Colaboração
Antônio dos Santos, Gestor do Centro de Estudos Amazônicos (Manaus, AM), 2015.

 Referências

  1. GRANDI, T. S. M. Tratado das Plantas Medicinais - Mineiras, Nativas e Cultivadas. Adaequatio Estúdio, Belo Horizonte. 2014.
  2. MOREIRA, H.J.C; BRAGANÇA, H. B. N. Manual de Identificação de Plantas Infestantes. FMC Agricultural Products, São Paulo (SP). 2011.
  3. Science Direct (Journal of Young Pharmacists, 2010): Antibacterial activity of L. camara and L. montevidensis extracts from Cariri (Ceara, Brazil ) - Acesso em 29 de novembro de 2015
  4. VIEIRA, L. S. Fitoterapia da Amazônia - Manual das plantas medicinais. Editora Agronômica Ceres, São Paulo (SP). 1992
  5. Imagem: Wikimedia Commons (Author: Ixitixel)​ - Acesso em 29 de novembro de 2015
  6. Imagem: FMC Agricultural Products
  7. The Plant List: Lantana camara - Acesso em 29 de novembro de 2015

GOOGLE IMAGES de Lantana camara - Acesso em 29 de novembro de 2015

Galeria: