Boldo-do-chile

Nome científico: 
Peumus boldus Molina
Sinonímia científica: 
Boldea boldus (Molina) Looser
Família: 
Monimiaceae
Partes usadas: 
Folhas
Princípio ativo: 
Óleo essencial (eucaliptol, ascaridol, cineol, eugenol e alfa-pineno) 2% v/p; alcaloides (totais 0,250 a 0,535%) sendo eles: boldina 0,1%, iso-coridina, nor-isocoridina, N-metil-laurotetanina e esparteína; taninos.
Propriedade terapêutica: 
Tônica, excitante, aperiente, digestiva, carminativa, diaforética, calmante, estomáquica, eupéptica, colerética, diurética, antidispéptico, colagogo e colerético.
Indicação terapêutica: 
Afecções do fígado e do estômago, litíase biliar, cólicas hepáticas, hepatites, dispepsia, tontura, insônia, prisão de ventre, reumatismo, gonorreia.

Formulário de Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira
Boldo-do-chile tem uso científico comprovado como antidispéptico (gastrite), colagogo (facilita a expulsão da bílis da vesícula biliar para o duodeno) e colerético (aumenta a quantidade de bílis segregada pelo fígado, descongestionando-o e favorece a digestão). Para mais informações consulte a monografia.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: boldutree, boldus, boldea
  • Alemão: boldea
  • Francês, Italiano, Espanhol: boldo

Origem
Originária do Chile, onde forma vastas matas de árvores de 12 a 15 m de altura em diversas regiões. No norte se restringe quase que exclusivamente à cordilheira costeira dos Andes. 

As matas são mais comuns até 900 m de altitude, em geral sobre solos secos com exposição norte, pedregosos, sem terras finas. Outrora o vale longitudinal chileno possuía extensas matas nativas de boldo, mas hoje estão praticamente destruídas. O gado é frequentemente levado a pastar nas matas de boldo, o que dificulta ou impede a renovação natural desta planta quando o pastoreio é muito extenso.

Descrição
Arbusto ou arvoreta com folhas coriáceas, grossas, inteiras, pecioladas, elípticas, ovalo-elípticas a oblongo-ovaladas, de 3 a 7 cm de comprimento e de 2 a 5 cm de largura, cor verde acinzentada ou cinzento-prateada, raramente avermelhada. Presença de glândulas com óleos essenciais.

Uso popular e medicinal
Atribuem-se ao boldo incontáveis virtudes medicinais. Tônica e excitante, constitue em decocão medicamento especialmente indicado para afecções do fígado e do estômago.

De modo geral atua contra as seguintes enfermidades: hepatite, litíase biliar, cólica hepática, congestões do fígado, flatulência, dispepsia, dores de estômago, distúrbios gástricos e digestivos, inapetência, fraqueza orgânica, tontura, insônia, prisão de ventre, cólicas intestinais, reumatismo e gonorreia.

Combate a má digestão, fortifica o estômago e os nervos. Limpa as manchas da pele, especialmente as do rosto causadas por distúrbios do fígado.

Usa-se o cozimento do boldo externamente para banhos e pedilúvios no combate ao reumatismo, à hidropisia, afecções da pele, sífilis, blenorragia e outras enfermidades semelhantes.

O boldo promove o aumento da produção e fluxo de bílis e regula a atividade da vesícula biliar.

O perfume do boldo recorda o de hortelã e melissa.

Os incas utilizavam as propriedades do boldo contra sangramento e como amargo estimulante do estômago.

Dentre os princípios ativos são encontrados glicosídeos (glucoboldina ou boldoglucina), flavonoides, sitosterol, ácido oleico, linoleico, linolênico e substâncias minerais.

 Dosagem indicada
Colecistites, eliminador de cálculo biliar (ácido úrico e oxalato de cálcio). Em 1 xícara (chá) coloque 1 colher (sobremesa) de folhas picadas e adicione água fervente. Abafe por 20 minutos e coe. Tome 3 xícaras (chá) ao dia, sendo uma em jejum e as demais 30 minutos antes das principais refeições.

Afecções gástricas, afecções hepáticas, afecções renais, inapetência. Coloque 3 colheres (sopa) de folhas picadas em 1 garrafa de vinho branco. Deixe em maceração por 5 dias, agitando o líquido de vez em quando. Coe. Tome 1 cálice antes das principais refeições.

Insuficiência hepática, colecistites, cálculo biliar (ácido úrico ou oxalato de cálcio), inapetência. Coloque 2 colheres (sopa) de folhas picadas em 1 xícara (chá) de álcool de cereais a 70%. Deixe em maceração por 5 dias, mexendo de vez em quando. Coe. Tome 1 colher (café) diluído em um pouco de água antes das principais refeições. Antes de usar, coloque as doses diárias ao sol para evaporar o álcool.

Colecistites, cálculos biliares. Decocção: ferver 15 g de folhas de boldo em 1 litro de água por 2 minutos. Coar, adoçar e beber duas xícaras (chá) por dia.

Vinho medicinal. Macerar por 3 dias 30 g de folhas de boldo em um litro de marsala. Filtrar o líquido, colocá-lo em uma garrafa e consumir um calicezinho ao fim de cada refeição.

 Toxicologia
Pode provocar vômitos se tomar doses maiores que as recomendadas.

Cuidados com a planta seca, as folhas dessecadas vão reduzindo os teores das substâncias citadas à medida que envelhecem, até tornarem-se inúteis tanto para fim medicinal quanto aromático. Os estoques velhos deverão ser substituídos por folhas novas da última colheita.

Adquirir a planta somente em casas especializadas, visto que não cresce no Brasil e somente é encontrada na forma seca.

Curiosidade
As propriedades medicinais do boldo foram descobertas incidentalmente através dos carneiros. Encaminhados por acaso aos contrafortes da Cordilheira dos Andes (Chile) alguns rebanhos de carneiros, não encontrando outro tipo de alimentação, passaram a comer as folhas de boldo, que cresce em abundância na região.

Depois de alguns meses, os pastores notaram que os animais estavam curados das doenças do fígado e da prisão de ventre que lhes são característicos. Daí então o boldo ficou conhecido como planta curativa.

Interações com medicamentos [10]

Varfarina (anticoagulante oral cumarínico). Resultado: o alcalóide presente no fitoterápico possui efeito antiagregante plaquetário devido à redução na síntese de tromboxae A2, o que promoveria aumento do tempo de protrombina (mecanismo em discussão). 

Anticoagulante oral. Resultado: relato de aumento do risco de sangramento por efeito anticoagulante do fitoterápico (boldo associado à Trigonella foenum-graecum).

Medicamentos hepatotóxicos. Resultado: existe um consenso de que o fitoterápico produza hepatotoxicidade que, teoricamente, poderia ser agravada na associação de fármaco com igual dinâmica (amiodarona, atorvastatina, carbamazepina, genfibrozil, diclofenaco, metotrexate, nevirapina, niacina, paracetamol, tacrina, tamoxifeno, etc.).

Outros usos
É utilizada na indústria de licores e bebidas alcoólicas amargas em combinação com outras plantas aromáticas.

A madeira seca do tronco é excelente para serviços de torno em marcenaria e carpintaria. A madeira é castanho oliva, de grande dureza e durabilidade e de estrutura fina quando seca. A casca é rica em taninos, por esta razão é utilizada para curtir e tingir fibras.

 Colaboração

  • Rosane Maria Salvi, Médica, Porto Alegre (RS), 2009.
  • Eliane Diefenthaeler Heuser, Bióloga, Porto Alegre (RS), 2009. 

 Referências

  1. PANIZZA, S. Plantas que Curam - Cheiro de Mato. IBRASA, São Paulo, 4a ed., 1997.
  2. Plantas que curam. Editora Três.
  3. BALMÉ, F. Plantas Medicinais. Editora Hemus, São Paulo, 2004.
  4. BALBACH, A. As Plantas que Curam. Editora Missionária, São Paulo, 2a ed., 1992.
  5. THOMSON, W. A. R. Guia Práctica Ilustrada de las Plantas Medicinales. Editora Hemus, Barcelona, 1981.
  6. Geheiminisse und Heilkräfte der Pflanzen. Reader´s Digest.
  7. HERTWIG, I. F. Plantas Aromáticas e Medicinais. Editora Ícone, São Paulo, 2a ed., 1991. (Coleção Brasil Agrícola)
  8. ALMEIDA, E. R. Plantas Medicinais Brasileiras: conhecimentos populares e científicos. Editora Hemus, São Paulo (SP), 1993.
  9. SANTOS, C. A. M.; TORRES, K. R.; LEONART, R. Plantas Medicinais - Herbarium, Flora et Scientia. Editora Ícone, São Paulo, 2a ed., 1988. (Coleção Brasil Agrícola)
  10. SALVI, R.M.; HEUSER E. D. Interações medicamentos x fitoterápicos: em busca de uma prescrição racional. EDIPUCRS, Porto Alegre (RS). 2008. 
  11. The Plant List: Peamus boldus - Acesso em 17/12/2014

GOOGLE IMAGES de Peamus boldus - Acesso em 17/12/2014

Galeria: