Bacabinha

Nome científico: 
Oenocarpus mapora H.Karst.
Sinonímia científica: 
Oenocarpus mapora subsp. dryanderae (Burret) Balick
Família: 
Arecaceae
Partes usadas: 
Fruto (polpa).
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Ácidos graxos (oleico, palmítico, linoleico, esteárico, palmitoleico, araquídico), lipídeos, fibras, proteínas, antocianinas.
Propriedade terapêutica: 
Emoliente.
Indicação terapêutica: 
Pele ressecada, revitalização do couro cabeludo, caspa.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: Don Pedrito's pal m
  • Espanhol: pusuy, ciamba, cinamillo

Origem [2]
Bacabinha, assim como todas as espécies de Oenocarpus, são originárias e nativas da América Tropical. A maioria ocorre no norte da América do Sul. Na região Amazônica, o desenvolvimento geralmente ocorre em solos arenosos de áreas de terra firme.

Descrição [2]
No Estado do Acre e na região do Alto Amazonas, a bacabinha é a mais conhecida dentre as espécies de Oenocarpus. Possui vários estipes. Temos a descrição de outra espécie de Oenocarpus, a bacaba, que conta com somente um estipe.

Os frutos apresentam formato elíptico a globoso e coloração roxa-escura quando maduros. Apresenta precocidade de produção e cachos com frutos de excelente qualidade nutricional e de grande potencial para a agroindústria de polpa. Os frutos são consumidos de forma similar aos do açaizeiro, ou seja, como polpa ou “vinho”, sendo também empregados como matéria-prima na produção de sorvetes, picolés, geleias e licores.

Uso popular e medicinal
Esta palmeira tem grande valor socioeconômico, sendo o principal interesse o aproveitamento do fruto para produção de óleo e outros produtos derivados, de excelente qualidade nutricional. As propriedades organolépticas do óleo são semelhantes às do óleo de oliva, podendo ser um substituto deste azeite, além de propiciar matéria-prima de boa qualidade para a indústria de alimentos pois contém proteínas de excelente valor biológico (40% a mais que a soja) [3].

Uma análise química dos componentes do óleo da bacabinha foi realizado pelo Laboratório de Tecnologia Química (LATEC - Instituto de Química da Universidade de Brasília UnB), extraido por expressão do mesocarpo oleaginoso do fruto utilizando-se uma prensa primitiva [1].

O óleo é um líquido esverdeado de odor agradável, apresenta densidade de 0,9176, índices de refração de 1,4676, de saponificação de 196,4, de iodo de 87,9. Seu ponto de solidificação encontra-se na temperatura de – 6°C. A composição em ácidos graxos reportada pela empresa Chemyunion para seu produto Chemyforest consiste nos ácidos oleico (50,0 - 70,0%), palmítico (15,0 - 35,0%), linoleico (7,0 - 20,0%), esteárico (1,0 - 8,0%), pamitoleico (< 3,0%), (< 3,0%) e araquídico (< 2,0%).

O alto teor de ácidos graxos insaturados oleico e linoleico conferem ao óleo as propriedades emolientes, possibilitando seu emprego em produtos para a pele e revitalização do couro cabeludo.
  
O ácido oleico é empregado no tratamento de caspa (descamação do couro cabeludo) e de peles ressecadas, pela formação de um filme lipídico sobre a epiderme. Por ser uma das substâncias em maior quantidade tanto no sebo quanto nas glândulas da pele, o ácido oleico proporciona grande afinidade entre a pele e os óleos que o contêm. Pode também ser utilizado como promotor químico de absorção, uma vez que é capaz de melhorar a difusão de princípios ativos pelo estrato córneo. Esta propriedade é explicada por sua capacidade em modificar, de forma reversível, a resistência do mesmo. 

O ácido linoleico faz parte dos chamados ácidos graxos essenciais, são necessários ao homem mas não sintetizados por ele. Esta substância é um dos componentes lipídicos da pele, podendo ser incorporado aos fosfolipídeos epiteliais, o que acarreta na diminuição da perda de água transepidérmica e evita o ressecamento da pele. Estudos mostraram que sua aplicação tópica foi eficaz na restauração da barreira epitelial em ratos.

Também auxilia no tratamento de disfunções de queratinização e de elasticidade, promovendo mais flexibilidade e maciez para a pele.

Um trabalho conduzido na EMBRAPA Amazônia Oriental avaliou a composição físico-química da polpa de bacabi. Realizaram-se análises de pH, acidez titulável, sólidos solúveis, umidade, cinzas, fibras, proteínas, lipídeos e antocianinas totais. Observou-se que os principais constituintes da polpa são os lipídeos (com teor médio de 58,24%), seguido pelas fibras (16,61%) e proteínas ( 6,64%). Para as antocianinas observou-se um teor de 40,31 mg/100 g. Os lipídeos correspondem a 85,10% das calorias contidas na polpa, enquanto 10,59% e 4,31% equivalem respectivamente à energia oriunda dos carboidratos e proteínas [2].

Outros usos
O ácido palmítico é empregado na fabricação de sabões e cremes.

As folhas são usadas na produção de fibras e telhado. O caule é empregado na construção e suas fibras fornecem suplementos para caça e combustível. As inflorescências são usadas na confecção de vassouras e artesanatos. 

 Referências

  1. ARAUJO, V. F. et. alli. Plantas da Amazônia para produção cosmética. Universidade de Brasília (UNB-DF), Instituto de Química. 2005.
  2. EMBRAPA Amazônia Oriental (2014): Caracterização físico-química da polpa de bacabi (O. mapora) - Acesso em 3 de janeiro de 2016
  3. Acta Amazonica (2009): Emergência e crescimento de plântulas de bacabi (O. mapora) e bacaba (O. distichus) e estimativas de parâmetros genéticos - Acesso em 3 de janeiro de 2016
  4. Imagem: Palm & Cycad Society of Australia Inc. (Author: Michael Pascall); ​​Wikimedia Commons (Author: Rickahontas) - Acesso em 3 de janeiro de 2016
  5. The Plant List: Oenocarpus mapora - Acesso em 3 de janeiro de 2016

GOOGLE IMAGES de Oenocarpus mapora - Acesso em 3 de janeiro de 2016

Galeria: