Aroeira-da-praia

Nome científico: 
Schinus terebinthifolia Raddi
Sinonímia científica: 
Schinus terebinthifolia var. damaziana Beauverd
Família: 
Anacardiaceae
Partes usadas: 
Casca do caule seca.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Resinas, hidrocarbonetos terpênicos, ácido pirogálico, glicose, óleo essencial, alquil-fenóis.
Propriedade terapêutica: 
Anti-inflamatório, cicatrizante ginecológico, inseticida, hemostático.
Indicação terapêutica: 
Doenças do sistema urinário e respiratório, hemoptise, hemorragia uterina, ferimentos de pele ou mucosas, cervicite, hemorroidas, gengiva inflamada.

Formulário de Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira - 1a edição
Aroeira-da-praia tem uso científico comprovado como anti-inflamatório e cicatrizante ginecológico.

Origem
Espécie nativa da América do Sul (sudeste do Brasil, norte da Argentina e Paraguai). Tem ampla distribuição nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: brazilian pepper, florida holly, christmas berry, pepper tree
  • Francês: faux-poivrier
  • Alemão: brasilianische pfefferbaum
  • Italiano: falso pepe rosa
  • Espanhol: pimentero brasileño

Descrição [6]
Árvore pioneira, porte pequeno a médio, atinge 5 a 10 m. Tronco revestido de casca grossa. Tem copa globosa, casca externa cinza escuro. Casca interna avermelhada, textura fibrosa, com exudação de terebentina. 

A flor tem cor branca do tipo inflorescência. A floração ocorre de setembro a janeiro. 

A folha é fortemente aromática, tem estrutura imparipinada, composta, forma oblonga, inserção alterna, coriácea, pilosa. 

O fruto é drupa, carnoso, vermelho, anual. O endocarpo contém óleo, quando macerado imaturo exala um odor semelhante ao da manga. A frutificação ocorre de janeiro a julho.

Uso popular e medicinal [1,2,3,4]
Popularmente suas cascas são usadas na forma de cozimento, especialmente pelas mulheres, durante vários dias, em banhos de assento após o parto como anti-inflamatório e cicatrizante ou como medicação caseira para o tratamento de doenças do sistema urinário e do aparelho respiratório, bem como nos casos de hemoptise (sangramento proveniente das vias aéreas inferiores) e hemorragia uterina. As folhas e frutos são adicionados à agua de lavagem de feridas e úlceras.

Cascas e folhas secas são utilizadas contra febres, problemas do trato urinário, cistite, uretrite, diarréia, blenorragia, tosse, bronquite, problemas menstruais com excesso de sangramento, gripes e inflamações em geral. Sua resina é indicada para o tratamento de reumatismo e ínguas, além de servir como purgativo e combater doenças respiratórias.

O óleo-resina é usado externamente como cicatrizante e para dor-de-dente. A resina amarelo-clara (a qual endurece ao ar tornando-se azulada e depois pardacenta), proveniente das lesões das cascas, é medicamento de larga aplicação entre os sertanejos, como tônico.

Em outros tempos, a resina foi utilizada pelos jesuítas no preparo do Bálsamo das Missões, famoso no Brasil e no exterior.

A planta inteira é utilizada externamente como antisséptico no caso de fraturas e feridas expostas. O óleo essencial é o principal responsável por várias atividades desta planta, especialmente a ação antimicrobiana contra bactérias e fungos, bem como atividade repelente contra a mosca doméstica.

Este óleo essencial é indicado em distúrbios respiratórios. É eficaz em micoses, candidíases (uso local), alguns tipos de câncer (carcinoma, sarcoma,etc.) e como antiviral e bactericida. Possui ação regeneradora dos tecidos e é útil em escaras, queimaduras e problemas de pele.

Externamente, o óleo essencial da aroeira-da-praia é utilizado na forma de loção, gel ou sabonetes para limpeza de pele, coceiras, espinhas (acne), manchas, desinfecção de ferimentos, micoses e para banho.

Em muitos estudos in vitro, extratos da folha demonstraram ação antiviral contra vírus de plantas e apresentam ser citotóxicos para 9 tipos de câncer das células.

Em banhos é utilizado o decocto da casca de aroeira para combater úlceras malignas.

Em 1996, uma patente americana foi registrada do óleo essencial como um remédio tópico de ação bactericida contra Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus para seres humanos e animais (um preparado para nariz, ouvido e peito). A mesma companhia criou uma outra patente em 1997 para um preparado similar para limpeza de pele de ação bactericida.

Em 2013 um estudo sobre a composição química e atividade inseticida do óleo essencial sobre a broca-do-café mostrou que o óleo das folhas de S. terebinthifolius foi eficiente na indução da mortalidade dos insetos, o que abre novas perspectivas quanto à sua utilização como inseticida natural no controle de pragas [9].

Composição química

Aroeira-da-praia contém óleos essenciais bem distribuídos nas folhas, frutos e tronco. O óleo é rico em mono e sesquiterpenos, em teor de 1% para as folhas e 5 a 8 % para os frutos, onde predomina monoterpenos (85,1%), sendo os mais abundantes careno (30,37%), limoneno (17,44%), felandreno (12,60%), pineno (12,59%), mirceno (5,82%), cimeno (3,46%); seguido pelos sesquiterpenos (5,34%) trans-cariofileno, muuruleno, farneseno, cadineno e cadinol [1,2,3,4].

No óleo essencial das folhas foram identificados 37 constituintes químicos, os principais são germacreno (25,0%), beta-cariofileno (17,5%) e delta-elemeno (10,5%) [9].

Outros componentes: ácido pirogálico, glicose, alquil-fenóis [10].

Curiosidade
Frutos da aroeira são utilizados na Flórida (EUA) para decoração de Natal, o que lhe conferiu a denominação de Christmas-berry.

Dosagem indicada
Anti-inflamatório e cicatrizante ginecológico. Componentes: cascas do caule secas (1 g); água q.s.p. 150 mL. Preparar por decocção considerando a proporção indicada na fórmula. Advertência: em caso de aparecimento de alergia, suspender o uso. Modo de uso: externo. Fazer banho de assento 3 a 4 vezes ao dia
[8].

Gota, reumatismo e ciática. Banho. Ferver 26g de cascas de aroeira-da-praia em um litro de água. Tomar diariamente um banho de 15 minutos, tão quente quanto possível. 

Gargarejos, bochechos, compressas, tratamento tópico de ferimentos de pele ou mucosas, infectadas ou não, cervicite, hemorróidas, gengivas inflamadas. Cozinhar em 1 litro de água, 100g da entrecasca limpa e seca, quebrada em pedaços pequenos.

Azia e gastrite. Utilizar os frutos cozidos 2 vezes, cada vez com meio litro de água. Beber em doses de 30 ml duas vezes ao dia.

Outros usos [6,7]
Árvore bastante interessante para arborização urbana. Seu porte médio e a frutificação ornamental fazem com que seja excelente escolha para paisagismo, prestando-se como arvoreta e cerca-viva. Também é indicada para reflorestamento de áreas degradadas.

A pimenta-rosa, seu fruto de sabor levemente picante e adocicado, é muito popular na culinária francesa.

Da aroeira extrai-se a madeira (própria para mourões, lenha), óleos essenciais, carvão e resina.

A casca é rica em substâncias tanantes (usadas no curtimento de couro).

 Colaboração

  • Nélia Nascimento Santos (Salvador, BA), 2015.

 Referências

  1. ALMEIDA, E. R. Plantas Medicinais Brasileiras: conhecimentos populares e científicoss. Editora Hemus, São Paulo (SP), 1993.
  2. Plantas que curam. Editora Três.
  3. LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil - Nativas e Exóticas. Instituto Plantarum, Nova Odessa, 2.ed. 2008.
  4. CORRÊA, M. P. Dicionário de Plantas Úteis do Brasil. Ministério da Agricultura, Rio de Janeiro, 1991.
  5. LORENZI, H. Árvores Brasileiras. Instituto Plantarum, Nova Odessa (SP), v.2, 1998.
  6. Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF): Schinus terebinthifolius Raddi - Acesso em 26 de abril de 2015
  7. Instituto Brasileiro de Florestas (IBF): Aroeira pimenteira - Acesso em 26 de abril de 2015
  8. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 1ª ed. 2011.
  9. Revista Brasileira de Plantas Medicinais: Composição química e atividade inseticida do óleo essencial de Schinus terebinthifolius sobre a broca-do-café - Acesso em 26 de abril de 2015
  10. GRANDI, T. S. M. Tratado das Plantas Medicinais - Mineiras, Nativas e Cultivadas. Adaequatio Estúdio, Belo Horizonte. 2014.
  11. The Plant List: Schinus terebinthifolia Raddi - Acesso em 26 de abril de 2015

GOOGLE IMAGES de Schinus terebinthifolia - Acesso em 26 de abril de 2015

Galeria: