Andiroba

Nome científico: 
Carapa guianensis Aubl.
Sinonímia científica: 
Persoonia guareoides Willd.
Família: 
Meliaceae
Partes usadas: 
Óleo extraído das sementes.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Ácidos graxos saturados (mirístico, palmítico, esteárico, araquídico, beênico), monoinsaturado (oleico), poli-insaturado (linoleico, linolênico); limonoides (andirobina, gedunina).
Propriedade terapêutica: 
Anti-inflamatório, cicatrizante, insetífuga.
Indicação terapêutica: 
Repelente de mosquitos, infecção de garganta, gripe, fortalecimento de cabelo, acne, neoplasia de colo uterino.

Nome em outros idiomas [2]

  • Inglês: crabwood, andiroba, bastard mahogany, brazilian mahogany, carapa 
  • Alemão: andiroba
  • Espanhol: andiroba, cedro

Origem
Brasil. Ocorre na Região Amazônica e na costa Atlântica. É encontrada em toda a América tropical.

Descrição [3] 
Flores unissexuais (masculinas ou femininas, geralmente sésseis, de cálice verde; corola branca; estames amarelos. Na flor masculina, o pistilo é tubular. Na flor 
feminina, o pistilo é mais grosso. Após a polinização, o ovário engrossa formando eventualmente o fruto.

Frutos típicos de C. guianensis apresentam cápsula globosa, com 4 valvas, cada valva contém 1 ou 2 sementes. As valvas lenhosas do fruto têm cristas cobertas com grandes protuberâncias, abrindo para expor as sementes. 

Alguns indivíduos podem ter flores em qualquer mês, porém o pico de floração é entre agosto e novembro. Os frutos precisam de quase um ano para amadurecer. 

Uso popular e medicinal [4,6]

Desta árvore aproveita-se comercialmente o óleo derivado das sementes e a madeira. O óleo é composto principalmente por material saponificável com alta porcentagem de ácidos graxos insaturados, de grande interesse para a indústria de cosméticos. Pequena porcentagem (2 a 5%) é constituída por limonoides, entre eles a andirobina e gedunina.

O óleo de andiroba é rico em ácidos graxos essenciais dentre os quais oléico, palmítico, mirístico e linoléico e não contém componentes não graxos tais como triterpenos, taninos e alcalóides, que são isolados como andirobina (extraído da casca da andiroba) e carapina. Análises químicas do óleo identificaram as propriedades anti-inflamatório, cicatrizante e insetífugas devidas à andirobina.

O sabor amargo do óleo é atribuído a um grupo de produtos químicos chamados terpenos meliacinas, que são muito semelhantes aos produtos químicos antimaláricos amargos. Foi documentado que a meliacina gedunina apresenta propriedades de controle de pragas e de efeitos antimalária iguais ao do quinino.

O óleo de andiroba ganhou valor após o patenteamento de um creme com propriedades hidratante e anticelulite pela Yves Rocher, multinacional francesa do ramo de cosméticos e beleza.

Velas de andiroba são usadas ​​como repelente eficaz do causador da dengue e febre amarela, o Aedes aegypti. Quando queimadas, as velas liberam um agente que inibe a fome dos mosquitos, reduzindo assim a sua necessidade de picar. Estudos têm mostrado que este produto é mais eficaz como repelente de insetos que qualquer outro similar no mercado. Além disso, a vela não é tóxica, não produz fumo e não contém perfume. Outra forma tradicional de proteger contra picadas de mosquito é aplicar no corpo uma pasta feita de bagaço queimado de andiroba (que sobrou da extração do óleo) misturado com urucum (Bixa orellana).

Andiroba com mel e copaíba resulta em medicamento anti-inflamatório útil para combater infecções de garganta e gripe. Fortalece e embeleza o cabelo e quando adicionado a sabonete, atua com surpreendente efeito contra acne.

Devido à sua boa penetração na pele, é muitas vezes usado em massagens para aliviar contusões, luxações, artrite e reumatismo, acalmar a superfície da pele e branquear manchas superficiais.

Uma revisão da literatura de extratos vegetais cita a andiroba com uma das poucas espécies não chinesas a apresentar potencial atividade antitumoral contra a neoplasia de colo uterino (câncer de colo de útero ou câncer cervical) [1]

Outros usos [5]
Andiroba pertence a mesma família do mogno e cedro. Sua madeira, resistente a ataques de insetos, é muito procurada pelas serrarias. A madeira tem aplicações na construção civil (vigas, ripas de telhado, painéis, persianas, umbrais, caixilhos de janelas, rodapés), móveis, madeira ompensada, caixas de engradados, guarnição para acabamento de interiores de embarcações, dentre outras.

 Colaboração

  • Itacildo Pacheco, João Pessoa (PB), 2015.

 Referências

  1. Acta Farmacéutica Bonaerense: Natural Products Reported as Potential Inhibitors of Uterine Cervical Neoplasia - Acesso em 17 de maio de 2015
  2. Henriette's Herbal Homepage: Carapa guianensis - Acesso em 17 de maio de 2015
  3. EMBRAPA Amazônia Oriental: Flores de Carapa guianensis - Acesso em 17 de maio de 2015
  4. Amazon Oil Industry: Andiroba Oil - Acesso em 17 de maio de 2015
  5. IBI International: Andiroba Carapa guianensis - Acesso em 17 de maio de 2015
  6. Sociedade Brasileira de Química: Limonóides do óleo das sementes de andiroba - Acesso em 17 de maio de 2015
  7. Imagem: Horto Botânico (Museu Nacional da UFRJ): Carapa guianensis - Acesso em 17 de maio de 2015
  8. The Plant List: Carapa guianensis - Acesso em 17 de maio de 2015

GOOGLE IMAGES de Carapa guianensis - Acesso em 17 de maio de 2015

Galeria: