Amora, amoreira

Nome científico: 
Morus alba L.
Sinonímia científica: 
Morus alba var. bungeana Bureau
Família: 
Moraceae
Partes usadas: 
Folha, fruto, raiz, casca, casca da raiz.
Princípio ativo: 
Adenina, proteína, sais, glicose, flavonoides, cumarina, taninos.
Propriedade terapêutica: 
Tônico, laxante (fruto), antibacteriana, expectorante, sudorífero (folha), antirreumática, analgésica (casca), sedativa, diurética, expectorante (casca da raiz).
Indicação terapêutica: 
Dor de dente, redução da pressão sanguínea, tosse, inapetência, prisão de ventre, inflamação da boca, febre, diabetes, dermatoses, eczema, erupções cutâneas.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: mulbery tree
  • Alemão: maulbeerbaum
  • Espanhol: moral
  • Francês: murier
  • Italiano: gelso

Origem
Acredita-se que seja originária da China. A cultura estendeu-se pelo Mediterrâneo, região onde se cria o bicho-da-seda (Bombix mori) que alimenta-se exclusivamente da folha da amora.

Descrição
São conhecidas duas espécies: Morus alba (amora-branca) e Morus nigra (amora-negra), que não devem ser confundidas. Morus nigra é árvore de crescimento regular, chegando a atingir 15 m de altura, tem folhas ovaladas e flores monóicas.

Frutos de Morus alba são bagas de cor vermelho escuro e diferem da outra espécie pelo fato de serem pedunculados, maiores e de acidez mais acentuada.  

Uso popular e medicinal
No século XVI na Europa empregavam-se o fruto, casca e folha da amora-negra, o fruto para inflamações e hemorragias, a casca para dores de dentes e a folha para mordidas de cobra e também como antídoto de envenenamento por acônito. O fruto é adstringente e tem ação laxante e edulcorante. Seu xarope é empregado no tratamento de afta e gengivite. 

Apesar da amoreira estar desaparecendo da matéria médica na Europa, a amora-branca segue sendo muito empregada na China como remédio para tosse, resfriado seguido de febre, dor de cabeça, garganta irritada e pressão alta.

Com o conceito chinês de yin e yang, a amora-branca é empregada para dissipar o calor do canal do fígado, que pode levar a irritação dos olhos e afetar estados de ânimo e também para refrescar o sangue. Portanto é considerada um tônico yin

Na Europa recentemente tem-se empregado as folhas da amora-negra para estimular a produção de insulina na diabetes.

Dentre os princípios ativos da Morus nigra encontram-se adenina, glicose, asparagina, carbonato de cálcio, proteína, tanino, cumarina, flavonoides, açúcares, ácido málico, matérias albuminóides e pectínicas, pectosa. Os frutos contém vitaminas A, B1, B2 e C. Os frutos maduros contém 9% de açúcares (frutose e glicose), ácido málico (em estado livre 1,86%), matérias albuminóides e pectínicas, pectosa, goma e matérias corantes com 85% de água.

 Dosagem indicada

  • Inflamações da boca: espremer alguns punhados de amoras, ainda que não totalmente maduras, recolhendo o líquido em uma tigela. Fazer bochechos frequentes com este suco diluído em pouca água.
  • Dor de dente. Decocção: em fogo moderado, ferver 40g de raízes de amoreira em meio litro de água, até que fique reduzida à metade. Depois de morno, filtrar o líquido e empregá-lo em bochechos.
     
  • Diurético. Deixar em infusão até amornar, um punhado de folhas secas de amoreira em um litro de água fervente. Filtrar o líquido, bebendo-o em calicezinhos durante o dia para que produza efeito diurético.
     
  • Garganta, tosse. Xarope: esmagar ao máximo algumas amoras-negras e recolher o suco em um recipiente de alumínio esmaltado ou de vidro. Adicionar açúcar numa quantidade que tenha o dobro do peso do suco e colocar em fogo brando. Quando esta mistura adquirir a consistência de xarope, deixá-la esfriar e guardá-la num vidro bem fechado, conservando-o em local fresco e escuro. Para as inflamações da garganta, devem-se diluir duas colherinhas do xarope em um cálice de água morna, empregando-a em gargarejos. Em caso de tosse, dissolver uma colherinha do xarope em uma xícara de água quente e tomá-la.
     
  • Estômago (inapetência). Decocção: ferver 20g de cascas de amora-branca em meio litro de água. Filtrar o líquido e adoçá-lo, tomando-o em calicezinhos meia hora antes das refeições. 
     
  • Intestino (prisão de ventre). Decocção (laxativa): em meio litro de água, ferver 15g de raiz e casca de amoreira misturadas. Quando o líquido ficar morno, filtrá-lo e adoçá-lo com mel. Beber metade pela manhã em jejum e o restante à noite, antes de deitar. Para obter-se um laxativo de efeito mais rápido, deve-se aumentar em até o dobro a quantidade de casca e raiz, ou seja 30g das cascas e raízes misturadas, regulando-se a quantidade de acordo com as reações do organismo a este tipo de purgante. Também os frutos ingeridos frescos e temperados com um pouco de açúcar, especialmente da variedade negra, ajudam no funcionamento do intestino.
     
  • Pele (dermatose, eczema, erupções cutâneas). Cataplasma: colocar um punhado de folhas frescas de amoreira, depois de lavadas e enxugadas, em um recipiente com uma ou duas colheres de água, aquecendo-o até o líquido evaporar. Estender as folhas sobre uma gaze, esmagá-las um pouco fazendo sair todo o líquido e aplicá-las quentes (mas não ferventes) sobre a região afetada. Quando a compressa esfriar, renová-la mais duas vezes.
     
  • Pressão sanguínea alta. Infusão: colocar um punhado de folhas frescas de amoreira em meio litro de água fervente. Depois de morno, filtrar o líquido, bebê-lo em cálices no decorrer do mesmo dia em que foi preparado.
     
  • Febre: 40 a 80 g de folhas por litro em infusão.
     
  • Diabetes. Infusão: utilizando as folhas, 1 xícara 4 a 6 vezes ao dia.

 Contraindicações

Não deve-se consumir o fruto em caso de diarréia, nem administrar folhas e raízes no caso de debilidade ou "frio" pulmonar. Em caso de dúvida deve-se recorrer ao médico.

 Referências

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