Aipo

Nome científico: 
Apium graveolens L.
Sinonímia científica: 
Apium graveolens subsp. butronensis (D.Gómez & G.Monts.) Aizpuru
Família: 
Apiaceae
Partes usadas: 
Ramo, folha, raiz, semente.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Apiina, óleo essencial, manitol, inositol, açúcar. A raiz possui glutamina, asparagina, tirosina, colina e apiol.
Propriedade terapêutica: 
Diurético, carminativo, depurativo, excitante, febrífugo, antiescorbútico, remineralizante, eupéptico.
Indicação terapêutica: 
Cálculos renais, artrite, ácido úrico, gota, reumatismo, inapetência, oligúria, meteorismo, obesidade.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: celery
  • Francês: ache des marais
  • Espanhol: apio

Origem [4]
Aipo é provavelmente nativa da Eurásia, tem sido cultivada desde os tempos antigos.

Descrição [1]
O aipo é muito conhecido pelo valor alimentar. Suas folhas são penadas (ou pinadas), com três segmentos. As flores são esbranquiçadas. O fruto é pequeno, sem pelos, arredondado ou com a base cordiforme, comprimido lateralmente. Toda a planta exala um odor forte e aromático. 

As raizes tornam-se carnosas.

Uso popular e medicinal
É diurético, carminativo, depurativo, excitante, febrífugo e antiescorbútico. Recomendado para combater os cálculos renais, contra a artrite e o ácido úrico. Na medicina popular são usadas as folhas, raizes e sementes. As raizes podem ser consumidas frescas ou dessecadas e delas são feitas infusões empregadas contra os cálculos biliares, gota e reumatismo [1]

Na raiz encontram-se as essências que contém limoneno, ácidos sedanólico e sedanônico, manitol, sais minerais e açúcares. A parte aérea é rica em cálcio, fósforo, vitaminas (B, C, K), ferro, carotenoides, proteínas e carboidratos. Os frutos contêm substâncias corantes e oleorresinas. Todos estes compostos conferem ação eupéptica (promotora do apetite), carminativa (favorece a expulsão de gases), remineralizante e vitamínica, empregando-se principalmente como um diurético e externamente como cicatrizante. 

Seu uso é indicado em casos de inapetência, meteorismo (dilatação do abdome provocado pelo acúmulo de gases intestinais), digestão lenta, oligúria (diminuição da quantidade de urina excretada), pedras urinárias, obesidade, reumatismo e gota [5,6]. 

O cheiro característico do aipo deve-se às lactonas (sedanolídeo e sedanenolide) e ftalidas relacionadas. Estes são também os compostos característicos do óleo essencial das folhas e sementes. Testes com ratos sugerem que ftalidas podem ser agentes quimiopreventivos eficazes de câncer de estômago. Também foi isolado do aipo o flavonoide apigenina, um composto com ação vasodilatadora. Extratos de aipo exibiram atividade hepatoprotetora em testes com ratos. Testes em camundongos confirmam o uso na medicina tradicional para condições dolorosas e inflamatórias. Extratos apresentaram atividades antinociceptiva e anti-inflamatória [3].

As sementes contêm um óleo volátil e alguns compostos com atividade antioxidante, mosquitocida, nematicida e antifúngica. Plantas de aipo contêm furanocumarinas bergapteno e psoraleno, são substâncias fotossensibilizantes potentes que podem causar dermatite em trabalhadores de campo. A raiz de aipo é causa frequente de alergia alimentar, muitas vezes ligadas a alergia ao pólen, sendo a proteína api g 1 o alérgeno principal [3].

 Dosagem indicada [1]

Cálculos renais e biliares. Ferver por 10 minutos, em fogo brando, 1 litro de água contendo 20 g de raízes de aipo, 30 g de parietária (Parietaria officinalis) e 30 g de raizes de salsa (Petroselium sativum). Deixar esfriar e coar. Beber 3 xícaras ao dia [1].

Intestino (meteorismo, flatulência e estômago). Colocar 15 g de sementes de aipo em 1 litro de água fervente. Deixar esfriar e coar. Beber 3 xícaras por dia. Para flatulência, tomar 1 xícara após as refeições [1].

Frieira. Colocar 100 g de aipo em 1 litro de água e ferver lentamente por 20 minutos. Em seguida, dar um banho quente nos pés [1]. 

Gota, nefrite, reumatismo e bexiga. Ferver por 10 minutos 40 g de raízes e ramos de aipo em 1 litro de água. Deixar esfriar, coar e tomar 3 xicaras ao dia [1].

Inapetência, meteorismo, digestão lenta, oligúria, pedras urinárias, obesidade, reumatismo, gota. Preparar por decocção de 50g de raízes de aipo raízes bem lavadas. Deixar ferver em 1 litro de água durante 12 minutos. O líquido assim obtido pode ser bebido durante todo o dia antes das principais refeições (para abrir o apetite), ou ao final das mesmas a fim de facilitar a digestão pesada [5,6].

Efeito diurético. Preparar por infusão 5 g dos frutos de aipo, adicionados a 300 ml de água previamente fervida. Longe do fogo, deixar essa mistura em contato durante 10 minutos e filtrar. O líquido obtido pode ser tomado antes das refeições para um efeito diurético [5,6].

Efeito diurético e remineralizante. Preparar um suco com o extrato da planta e das folhas. Adultos podem tomar 1 colher de sopa diluída em 200 mL de água ou leite, até 3 vezes ao dia antes das refeições [5,6].

Composição de alimentos por 100 g de parte comestível [2]

Aipo cru
Principais Minerais Vitaminas
Umidade % 93,8 Cálcio mg 65 Retinol µg NA
Energia 19 kcal; 80 kJ Magnésio mg 9 RE µg  916
Proteína g 0,8 Manganês mg 0,18 RAE µg  458
Lipídeos g 0,1 Fósforo mg 28 Tiamina mg Tr
Colesterol mg NA Ferro mg 0,7 Riboflavina mg Tr
Carboidrato g 4,3 Sódio mg 10 Piridoxina mg 0,18
Fibra alimentar g 1,0 Potássio mg 274 Niacina mg Tr
Cinzas g 1,1 Cobre mg 0,31 Vitamina C mg 5,9
    Zinco mg 0,1    

NA: Não Aplicável; Tr: Traços

 Referências

  1. VIEIRA, L. S. Fitoterapia da Amazônia - Manual das Plantas Medicinais. Editora Agronômica Ceres, São Paulo (SP). 1992.
  2. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), 4a ed. 2011.
  3. Plant Resources of Tropical Africa (PROTA4U): Apium graveolens - Acesso em 10 de janeiro de 2016
  4. Go Botany: Apium graveolens - Acesso em 10 de janeiro de 2016
  5. Enciclopedia de Plantas Medicinales 
  6. Hierbas y Plantas Medicinales: Propiedades medicinales de apio - Acesso em 10 de janeiro de 2016
  7. Imagem: Wikimedia Commons (Author: H. Zell) - Acesso em 10 de janeiro de 2016
  8. The Plant List: Apium graveolens - Acesso em 10 de janeiro de 2016

GOOGLE IMAGES de Apium graveolens - Acesso em 10 de janeiro de 2016

Galeria: